Superávit primário pode superar 4,3% do PIB, diz Bernardo

Ministro acrescentou que o governo vai continuar perseguindo o objetivo de zerar em 2010 o déficit nominal

Reuters,

30 de maio de 2008 | 16h00

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta sexta-feira, 30, que o superávit primário - arrecadação menos despesas, exceto o pagamento de juros - pode até superar 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. "Nos cinco anos anteriores, nós fizemos em todos os casos mais que a meta, portanto a meta que for fixada pelo governo vai ser cumprida e se possível ainda passaremos", afirmou a jornalistas após palestra no Rio de Janeiro. Bernardo acrescentou que o governo vai continuar perseguindo o objetivo de zerar em 2010 o déficit nominal do setor público. "No (primeiro) quadrimestre deste ano tivemos superávit nominal, o que não acontecia há 20 anos. Não queremos dizer que isso vai acontecer este ano inteiro, mas a nossa expectativa é zerar o déficit nominal até 2010", afirmou.  Decisão O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou mais cedo que o governo fará um superávit primário adicional de 0,5% do PIB para formar o Fundo Soberano do Brasil e ajudar o Banco Central no combate à inflação. A meta inicial de superávit primário era de 3,8% do PIB. Nos 12 meses encerrados em abril, a poupança era equivalente a 4,23%. Bernardo reiterou que o governo não pretende alterar a política cambial para brecar a queda do dólar frente ao real, mas não descartou a possibilidade de adoção de medidas pontuais. "Se tiver alguma medida pontual, que o governo coloque de forma consistente, sabendo quanto custa e qual tamanho, podemos fazer. Agora, mudar simplesmente a política cambial não vamos fazer... não temos nenhuma previsão ou proposta nesse sentido", disse o ministro. "Tem muita gente achando que já estamos perto do teto da apreciação do real, espero que isso seja verdade." Perto do fechamento, o dólar era cotado a R$ 1,6290 - menor valor desde janeiro de 1999. Bernardo disse ainda que a obtenção do grau de investimento provocou, por enquanto, apenas um "chuvisco" de dólares no país. "Tem muita gente dizendo que vai ter uma enxurrada de dólares... eu vi um chuvisco até agora. Queremos ver investimentos produtivos aqui, financiamento de projetos, empresas novas, então esse dólar é muito bem-vindo, se acontecer". SaúdeO ministro destacou também que o governo não tem como atender a decisão do Congresso de ampliar gastos na área da saúde, como previsto pela emenda 29. Segundo ele, ou o governo terá de criar um novo imposto ou terá de cortar despesas. "Não tem como aprovar uma despesa nova e dizer para o governo 'toma que o filho é teu'... É fundamental que o Congresso diga de onde vai sair esse dinheiro ou teremos que cortar a despesa ou elevar a receita", disse. lembrando que com o fim da CPMF o governo deixou de arrecadar cerca de R$ 40 bilhões ao ano. Bernardo lembrou que já acertou com o Ministério da Saúde uma verba adicional de R$ 4 bilhões à pasta.

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