Superávit recorde com exportações fracas

O superávit comercial de março atingiu US$ 4,4 bilhões, o mais elevado da série histórica iniciada em 1989, alcançando US$ 8,4 bilhões no trimestre, maior para o período desde 2007. São resultados decisivos para continuar reduzindo o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos e afastar um desequilíbrio cambial. No entanto, as exportações pouco reagem e a principal explicação para o saldo positivo é a queda de importações. Fraqueja a corrente de comércio (soma de exportações e importações, que diminuiu quase US$ 96 bilhões nos últimos 12 meses), expondo a fragilidade do comércio exterior, pois é ela o indicador mais relevante para avaliar a abertura da economia que ajuda a produzir a custos mais competitivos.

O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2016 | 03h00

O País exportou apenas US$ 15,9 bilhões em março e US$ 40,5 bilhões no primeiro trimestre, recuo de 5,8% e 5,1% em relação a igual período de 2015. Em 12 meses, as exportações de US$ 188,9 bilhões caíram 13,4% em relação aos 12 meses anteriores. Em março, foram fracas as vendas de semimanufaturados (ferro fundido, couros e peles, produtos de ferro e aço, açúcar em bruto, ferro-ligas e celulose) e manufaturados (laminados planos, motores para veículos e partes, autopeças, geradores elétricos, bombas e compressores). Queda menor ocorreu com as commodities, salvas pela melhoria das exportações de soja em grão, carnes, milho, algodão e minério de cobre.

A queda de importações foi liderada por combustíveis e lubrificantes (-40,8%), mas também por bens de consumo, intermediários e de capital. É o reflexo da baixa demanda dos consumidores e do adiamento de investimentos das empresas.

Entre os primeiros trimestres de 2015 e de 2016, a Ásia aumentou a participação nas exportações brasileiras de 29,9% para 33%, principalmente em razão das compras de China, Hong Kong e Macau, enquanto diminuíam as vendas para a América do Norte, em especial para os EUA. Não é bom sinal, pois mostra que persiste a dependência de commodities, cujos preços são voláteis. A exportação insatisfatória de manufaturados reflete as dificuldades da indústria, apertada por baixa demanda interna, tributos altos, perda de escala e custos decorrentes da infraestrutura precária.

Especialistas já esperam superávit comercial de US$ 50 bilhões neste ano, com ajuda da recessão e do câmbio. Mas a desvalorização recente do dólar poderá tornar algumas exportações menos atrativas.

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