SuperClubs investe R$ 500 milhões para abrir 15 hotéis no Brasil

Turismo. Grupo jamaicano, conhecido pelos resorts de luxo Breezes, pretende transformar o País em seu segundo maior mercado nos próximos cinco anos. Para isso, vai diversificar atividades com resorts voltados para a classe C e hotéis para executivos

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

A rede jamaicana SuperClubs vai investir mais de R$ 500 milhões no Brasil até 2015, transformando o País no principal foco do crescimento da empresa, com 15 novos projetos previstos para os próximos cinco anos. O grupo, conhecido no País pelos resorts de luxo Breezes, vai diversificar sua atuação com uma bandeira voltada ao turismo de negócio, a Sonesta, e os resorts temáticos StarFish, de olho na classe média emergente.

Segundo o diretor-geral do grupo, Xavier Veciana, a meta é fazer do Brasil o segundo maior mercado para o SuperClubs, depois do Caribe. Ele diz que, apesar de a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 serem fatores de atração, a aposta no País transcende eventos específicos: "Queremos atingir a classe média brasileira, que está com mais renda disponível para viagens e turismo."

Com os investimentos, a rede jamaicana tenta avançar em um mercado que ganhou fôlego em 2010. De acordo com a consultoria Euromonitor, a receita do setor no País deve atingir US$ 5,4 bilhões este ano, um aumento de 17% sobre 2009. Os dados da Euromonitor mostram que a francesa Accor, dona de marcas como Mercure, Ibis e Formule 1, tem a dianteira folgada do mercado hoteleiro no Brasil, com mais de 10% do faturamento, seguida da americana Choice - das bandeiras Quality e Comfort -, com 2,8% das receitas.

Estudo desenvolvido pela consultoria Jones Lang LaSalle mostra que mais de 70% dos 440 mil quartos que o País contabilizava em 2009 eram administrados por empresas independentes - além disso, quase a metade da oferta está concentrada na Região Sudeste. O levantamento informa também que a ocupação dos hotéis brasileiros ficou em 62% no ano passado, em linha com os resultados apurados em 2007 e 2008.

Entidades do setor dizem que há espaço para um significativo aumento da oferta de acomodações no País. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) no Rio de Janeiro, Alfredo Lopes, afirma que, no feriado de 12 de outubro, 90% dos quartos oferecidos no Estado foram ocupados, contra 60% de igual período de 2009. "Podemos atender à demanda atual. Mas, quando temos um evento especial, como a feira da Abav ou a Rio Oil & Gas, tudo fica lotado. O ideal é que possamos atender a vários desses eventos juntos", afirma Lopes. O presidente da ABIH-RJ diz que hoje o Rio contabiliza 29 mil quartos. "Não vamos chegar a 62 mil, como São Paulo, mas podemos aumentar este número em 10 mil tranquilamente."

Diversificação. Xavier Veciana, admite que a atuação local da empresa está muito ligada aos resorts Breezes, que têm custo acima das possibilidades da maioria dos brasileiros. Por isso, um dos focos da expansão do grupo no País será a cadeia de resorts StarFish, que oferecerá preços 40% mais baixos do que os da opção "classe A".

Segundo ele, serão seis empreendimentos temáticos "populares" - embora a primeira unidade tenha previsão de ser inaugurada na Bahia, a ideia é explorar opções além da praia, como regiões de montanhas ou próximas a rios. "Vamos buscar locais diferentes, mas bem servidos por estradas e aeroportos", explica Veciana.

O lançamento da StarFish será uma forma de atrair o público que agora começa a viajar. O resort funciona no sistema "all inclusive", em que todas as refeições e bebidas estão incluídas no preço proposto (menos itens importados).

Já a bandeira Breezes continuará a atender outra demanda crescente - a de viajantes estrangeiros. Segundo o Banco Central (BC), o gasto de turistas internacionais no País somou US$ 3,9 bilhões até agosto, um aumento de 11,5% em relação a igual período de 2009. O grupo pretende abrir três novas unidades Breezes no País até 2015, a primeira delas em Pernambuco.

De carona no movimento do turismo no País - 43 milhões de pessoas viajaram de avião entre janeiro e agosto de 2010, 23% a mais do que em igual período do ano passado -, a empresa pretende abrir empreendimentos voltados a viagens executivas e ao turismo de baixo custo.

A SuperClubs definiu ainda a abertura de seis hotéis voltados para executivos em parceria com a rede Sonesta. Segundo Veciana, a empresa estuda também introduzir no Brasil a cadeia supereconômica Rooms: "São quartos pequenos e confortáveis, com poucos serviços."

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