Superintendência do Cade dá aval à fusão Azul/Trip

Órgão pediu, porém, o fim do acordo de compartilhamento de voos entre a Trip e a TAM

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h17

A Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) emitiu ontem um parecer favorável à aprovação da associação entre as empresas aéreas Azul e Trip, mas recomendou que o compartilhamento de voos entre a segunda companhia e a TAM seja extinto em até dois anos.

De acordo com o órgão antitruste, a operação de fusão entre Azul e Trip foi notificada em 18 de junho, ainda sob a vigência da antiga lei de defesa da concorrência. Por isso, o caso seguirá automaticamente para julgamento pelo plenário do Cade.

Segundo nota divulgada pelo órgão, a Superintendência avaliou a fusão entre Azul e Trip como pró-competitiva. Ainda assim, o parecer recomenda a extinção gradual do acordo de compartilhamento de voos firmado pela Trip com a TAM antes da fusão, que dava complementaridade para as empresas em rotas regionais e entre as maiores cidades do País. "Com a associação Azul/Trip, a manutenção de tal acordo poderia desestimular a concorrência no setor aéreo", afirma a nota do Cade.

Em agosto, o presidente da Trip, José Mário Caprioli, havia manifestado o desejo de seguir com o acordo de compartilhamento com a TAM, mesmo após a fusão com a Azul. "A TAM mantém code share (compartilhamento) com concorrentes, como no caso das empresas internacionais. Temos voos, como os entre São Paulo e São José do Rio Preto, por exemplo, que alimentam voos internacionais da TAM", disse o executivo à época.

Competição. Para a Superintendência do Cade, a fusão entre a Azul e a Trip poderá resultar em uma nova empresa com maior capacidade de competir no setor de aviação civil. "Entre outros benefícios, a operação pode gerar uma malha ampla e interligada, com grande inserção regional", completa o documento. Juntas, Azul e Trip terão cerca de 14% do mercado nacional, fatia ainda bastante inferior às participações das líderes Gol e TAM, que superam 40% cada uma.

Na quarta-feira, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia dado sua autorização prévia à fusão.

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