Nacho Doce/Reuters
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Superintendência do Cade recomenda aprovação de compra da Oi por rivais, condicionada a acordo

Área técnica recomenda, entre outras ações, o compartilhamento de redes, aluguel de espectro de radiofrequência, contratos de roaming e oferta de pacotes de voz e dados para operadores virtuais

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 11h17
Atualizado 03 de novembro de 2021 | 13h19

BRASÍLIA - A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a aprovação da compra da Oi Móvel pela TIM, Claro e Vivo, condicionada à assinatura de um acordo que prevê, entre outras ações, o compartilhamento de redes, aluguel de espectro de radiofrequência, contratos de roaming e oferta de pacotes de voz e dados para operadores virtuais.  

Em despacho, a área técnica afirma que não há necessidade de distribuição da base de clientes da Oi entre concorrentes nem de venda de ativos.

Depois de um longo processo de recuperação judicial, a Oi leiloou seus ativos de serviço móvel em dezembro de 2020, quando as concorrentes Tim, Claro e Telefônica Brasil (dona da Vivo) apresentaram uma oferta conjunta pelo negócio.  

Pelas regras do Cade, a análise de uma fusão ou aquisição começa pela superintendência-geral, que pode aprovar casos em que considere não haver riscos à concorrência. Quando há concentração elevada, como nesse caso, a área técnica envia o processo para o tribunal com recomendações, que podem ou não ser seguidas pelo tribunal, que é quem dá a palavra final. 

No parecer em que envia ao tribunal o caso das telefônicas, a superintendência do Cade ressalta que a operação reduz de quatro para três o número de empresas que atuam nos mercados de acesso às redes móveis em atacado e de serviços móveis de voz e dados. 

“A análise realizada pela Superintendência demonstra que o ato de concentração tem potencial de diminuir o incentivo para que Tim, Claro e Telefônica Brasil forneçam esse acesso a outros concorrentes, e tendam a compartilhar os elementos apenas entre si, agindo de maneira coordenada”, afirma. 

Para a área técnica do Cade, esse risco poderá ser mitigado com as ações previstas no Acordo em Controle de Concentrações (ACC). O entendimento prevê compromissos de oferta de ran sharing (compartilhamento de redes de acesso) e de aluguel de espectro adquirido do Grupo Oi em municípios com menos de 100 mil habitantes.

Também foi previsto acordo de roaming e operadoras de rede móvel virtual para acesso às redes móveis em atacado aos demais players. “O objetivo é gerar condições para eventual entrada de concorrentes no setor”, afirmou o Cade. “A SG/Cade concluiu que o ACC negociado com as empresas é adequado para preservar a competitividade no mercado.”

O Cade tem 240 dias para analisar atos de concentração, prazo que, nesse caso, acabaria em 18 de novembro. Na semana passada, a superintendência-geral pediu mais 90 dias para o órgão analisar o processo e o tribunal aprovou o pedido. Com isso, o prazo final para o órgão decidir sobre o negócio entre as operadoras de telefonia passou para fevereiro de 2022.

Após a decisão da superintendência, as ações da Oi tinham alta 7,07% (ON) e 6,13% (PN) na Bolsa de São Paulo. Também impulsionadas pela notícia, Tim ON subia 3,84% e Telefônica Brasil ON, 1,76%. Por volta das 10h45, o principal índice da B3 caía 1,27%, aos 104.209 pontos.

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