Marcelo Camargo/ABr
Marcelo Camargo/ABr

Supermercadistas preveem queda nas vendas em 2016

Com impacto do desemprego e da inflação de alimentos, Abras projeta recuo nas vendas de 1,8% neste ano

Dayanne Sousa , O Estado de S. Paulo

02 de maio de 2016 | 14h30

Entidades que representam o varejo de supermercados dizem acreditar em uma retomada do consumo e dos investimentos em meio à esperada transição de governo no Brasil. Apesar disso, as projeções do setor ainda são de queda de vendas em 2016 com impacto do desemprego e da inflação de alimentos.

 

"Acreditamos que o resgate da credibilidade de um novo governo vai trazer de volta investimentos, mais renda e mais consumo" disse o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Sanzovo.

Ele admitiu que a maior parte das empresas do setor adiou investimentos e decisões de abertura de novas lojas em 2016, mas afirmou acreditar que algumas decisões poderão ser retomadas ainda este ano se for concretizada uma melhora de confiança dos consumidores.

 

A projeção da Abras para este ano, porém, ainda é de recuo nas vendas em termos reais. A entidade espera queda de 1,8% este ano.

 

O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Pedro Celso, afirmou que as expectativas para as vendas no Estado de São Paulo também são negativas. A entidade prevê retração entre 1,5% a 2% nas vendas este ano.

 

Diante da retração nas vendas, Sanzovo avaliou que os investimentos têm, por enquanto, ficado mais restritos a algumas oportunidades de aquisições de lojas. Redes regionais de pequeno porte acabam sofrendo mais com a crise e podem se tornar alvos de aquisição, comentou.

 

A retração das vendas de eletrônicos e eletrodomésticos afeta ainda os hipermercados. De acordo com dados da Nielsen, as vendas desses itens respondiam por 9,6% das vendas do setor em 2014 e essa fatia caiu para 8,1% em 2015.

 

Nesse cenário, o setor tem intensificado as promoções. A diretora comercial da Kantar Worldpanel, Christine Pereira, afirma que as visitas de consumidores às lojas estão concentradas na primeira semana do mês e que isso abriu espaço para que as redes fizessem mais promoções em troca de aumentar o volume vendido. Pacotes promocionais ou embalagens grandes acabam ganhando relevância, disse.

 

Já Daniela Toledo, diretora de varejo da Nielsen, considerou que o risco em momentos como esse é de promoções ineficazes, em que as empresas acabam perdendo receita e veem pouco impacto nos volumes. "Apesar disso, como a inflação tem exigido repasses de preços mais de uma vez por ano, a atividade promocional acaba sendo uma saída para não se perder participação de mercado", conclui.

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