Supermercado tem alta de 6,8% na venda do ano

Setor está praticamente 'blindado' contra o calote porque o pré-datado tem fatia inexpressiva e inadimplência da compra com cartão é do banco

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h08

Diante do aumento da inadimplência e do enfraquecimento do ritmo de atividade econômica, o setor de supermercados é uma espécie de oásis na economia brasileira.

De janeiro a maio, os supermercados registraram crescimento real de vendas, descontada a inflação, 6,81% em relação a igual período do ano passado, aponta pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Se o ano de 2012 terminasse em maio, este seria o melhor desempenho anual do setor desde 2008, quando as vendas cresceram 9%, descontada a inflação oficial medida pelo IPCA.

"Vamos rever as projeções de crescimento de vendas para o ano, que estavam entre 3,5% e 4%", afirma o presidente da Abras, Sussumu Honda. Ele aguarda os resultados deste mês para refazer as estimativas para cima. Segundo Honda, dados preliminares de lojistas indicam que as vendas de junho estão indo bem. Em maio, houve um salto no volume de negócios em relação ao mesmo mês do ano passado. O acréscimo foi de 9,88%. Em abril, a variação anual havia sido de apenas 0,19%.

Para Honda, o crescimento das vendas ocorreu por causa do reajuste do salário mínimo, que teve um acréscimo de 14% em termos reais e de 7%, descontada a inflação. Além disso, o desemprego em níveis historicamente baixos e o crescimento real de 7,5%, em maio, da massa salarial dos ocupados em relação ao mesmo mês de 2011, fortalecem o consumo de alimentos e itens de higiene e limpeza. Também as negociações de dissídios salariais em maio, com ganhos acima da inflação por causa da escassez de mão de obra, indicam um cenário favorável para a renda e o consumo de itens básicos.

"Vamos navegar este ano num patamar melhor do que no ano passado", prevê Honda. O setor encerrou 2011 com crescimento real de 3,71% nas vendas, em relação ao ano anterior.

Inadimplência. Outro fator que deixa os donos de supermercados otimistas, apesar dos indicadores macroeconômicos apontarem para a desaceleração da atividade e o avanço da inadimplência nas vendas financiadas, é o fato de eles estarem praticamente "blindados" contra o calote. O cheque pré-datado, que já foi um poderoso instrumento de pagamento para o setor nos anos 1990 e representa risco de inadimplência, é hoje cerca de 3% das vendas, segundo pesquisa da Abras.

Já os cartões de crédito próprio e de terceiros, que também poderiam envolver problemas de calote, equivalem a um terço dos negócios. "Se houver calote nos cartões, ele fica para o banco", diz Honda, explicando que os supermercados recebem o pagamento à vista, porém com uma taxa de desconto.

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