Supermercados cortam previsão de crescimento em 2002

O baixo desempenho das vendas no varejo, que reflete a crise econômica brasileira, está fazendo o setor de supermercados rever as projeções de faturamento. No início de 2002, a associação que reúne as empresas supermercadistas (Abras) previa um aumento do faturamento de 2,5% neste ano. Agora, já fala em 1,5%.De acordo com José Humberto Pires de Araújo, presidente da Abras, o resultado das vendas de junho obrigou a revisão da estimativa. Os dados ainda não estão fechados, mas já indicaram que muito dificilmente o setor conseguiria reverter a variação negativa acumulada até maio, de -1,71%, e ainda crescer mais 2,5%. "Não está o pior dos mundos, mas o desempenho até agora não condiz com o que esperávamos", disse à Agência Estado.O setor vem lutando desde janeiro para ´positivar´ seu faturamento em relação ao ano passado. Apenas nos meses de março e maio as vendas conseguiram romper a resistência e foram melhores que nos mesmos períodos do ano passado, registrando uma elevação de 9% e 2,65% respectivamente. Entretanto, o desempenho de janeiro, fevereiro e abril ficaram bem abaixo (-2,64%, -5,47%, -9,17%), resultando numa variação acumulada de ?1,71% até maio. Ao final de 2001, o setor registrou um ganho modesto, de 0,40%, movimentando R$ 72,5 bilhões.José Humberto argumenta que não dá para ser otimista com o cenário que se apresenta, de juros altos, real instável, dificuldade do Brasil de pagamento da dívida interna e externa e crescimento da inadimplência. Mesmo a injeção de recursos na economia com o aumento do salário mínimo para R$ 200 e o pagamento das diferenças do FGTS, que começaram a ser liberadas há duas semanas, permitem um balanço menos conservador.A previsão é ainda mais preocupante quando se considera que a base de comparação, o ano de 2001, foi fraca. Toda a atividade econômica no ano passado foi afetada, primeiro, pelo racionamento de energia e, depois, pelos atentados terroristas nos Estados Unidos.Preços menoresCom o encolhimento da renda e do emprego, a perspectiva para o segundo semestre é de que os produtos de maior valor continuem com resultados pífios. Por conta disso, os alimentos básicos e os produtos de baixo valor agregado devem caminhar em sentido oposto. "O consumidor vai continuar comprando o mesmo número de itens, mas preferirá os mais baratos", previu José Humberto.A tendência é de migração dentro de uma mesma categoria. Ou seja, o cliente continuaria comprando o biscoito, por exemplo, mas trocaria os mais sofisticados pelos mais simples.A própria indústria, segundo ele, já promoveu estas alterações. Tentando aumentar rentabilidade, diversificou seu mix, está optando por embalagens mais baratas, a fim de reduzir o preço final. De acordo com o empresário, para os supermercados, assim como para a indústria, este movimento é ruim, porque perde-se qualidade de venda. "Gasta-se a mesma coisa para vender menos", disse. Leia mais sobre o setor de Comércio e Serviços no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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