Supermercados devem reajustar preços

O setor supermercadista já se prepara para recuperar, pelo menos em parte, as perdas que teria acumulado desde o início do Plano Real por conta de variações nos preços dos alimentos menores do que a inflação do período. Segundo o vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda, neste mês os pontos-de-venda deverão apresentar pequenos reajustes principalmente nos itens de alimentação, com base num esperado aumento do consumo.De acordo com Honda, os dados ainda em aberto de fevereiro do índice que mede a variação dos preços nos supermercados deve registrar alta em relação a janeiro. No primeiro mês do ano, o índice teve variação de 0,43%, ante queda de 1,07% em dezembro de 2000.A tendência deve reforçar um processo que começou no início do mês e foi detectado pontualmente em levantamentos de preço da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e da Fundação Procon com o Departamento de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), na primeira quadrissemana de março o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) registrou alta de 0,3% no grupo alimentação. No acumulado do real, os alimentos apresentam alta de 49,54%, ante uma inflação de 88,09%.O coordenador do IPC, Heron do Carmo, pondera, no entanto, que a concorrência do setor, a entrada da safra de alguns produtos agrícolas e a trajetória natural do comportamento dos alimentos deverão, com o tempo, fazer com que os preços voltem à estabilidade, sem risco para a inflação.Para o diretor-comercial do D´Avó Supermercados, Martinho Paiva Moreira, ainda não há espaço suficiente para aumento de preço, especialmente para os produtos de maior valor. Como exemplo, ele cita a experiência da rede, com seis lojas espalhadas pela zona leste de São Paulo, em aplicar sobre a carne um reajustee de 5% no mês passado. "As vendas caíram imediatamente e nós tivemos de recuar", diz.Com relação ao leite longa vida, no entanto, ocorreu o contrário. Em 30 dias, Moreira registra alta de 43% no preço do produto, que passou de R$ 0,69 para R$ 0,99. Neste caso, não houve queda no consumo. Segundo Moreira, os aumentos postos em prática na rede D´Avó são pontuais e ocorrem apenas em itens em que já não é possível evitar o repasse. Ele acrescenta que o óleo de soja é um dos produtos que oferecem pressão de preço por parte dos fornecedores mas têm o valor de venda ao consumidor mantido.

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