Gabriela Bilo / Estadão
Retomada da abertura de lojas no varejo é puxada pelos varejistas de alimentos Gabriela Bilo / Estadão

Supermercados e farmácias concentram inaugurações

Do saldo de quase 6 mil lojas abertas até outubro, mais da metade vende itens de primeira necessidade

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2018 | 19h17

Supermercados e farmácias lideraram a abertura de lojas neste ano até outubro, mostra o estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC). “Esse é um indício da fraqueza da recuperação da economia”, observa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Isso porque alimentos e medicamentos são itens de primeira necessidade, de baixo valor e cuja compra é obrigatória. O consumo desses produtos de baixo valor unitário é praticamente autônomo, depende pouco da retomada da atividade econômica e do crédito.

Das quase 6 mil lojas inauguradas, mais da metade (64%) foram dos segmentos de supermercados, alimentos, bebidas, medicamentos e artigos de perfumaria. 

Paulo Cardamone, diretor da rede de cafeterias Casa Bauducco atesta esse movimento. “Estamos com um plano de expansão bastante audacioso neste ano e no próximo”, afirma. Em 2018 foram inauguradas 24 lojas e para 2019 estão previstas 45. Com isso, ao final de 2019 serão cem pontos em operação, a maioria franquias.

O fato de ser uma rede nova e com uma marca forte ajudam na expansão. Mas o executivo destaca que o sucesso também se deve ao fato de ser um negócio resiliente. Isto é, o consumo de um café e de uma fatia de panetone é pouco afetado pelas crises econômicas. 

Esse raciocínio também vale para o setor de supermercados que vende itens de primeira necessidade. Para 2019, os dois gigantes do setor supermercadista, Carrefour e GPA, ampliaram os investimentos feitos neste ano, para R$ 2 bilhões e R$ 1,8 bilhão, respectivamente. E boa parte dessas cifras será aplicada na expansão da rede de lojas.  

Já os segmentos do varejo de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção, que envolvem cifras maiores, com compras financiadas, ainda estão no vermelho na abertura de lojas neste ano, mostra o estudo da CNC. Isso significa que esses segmentos mais fecharam que abriram pontos de venda neste ano até outubro. A exceção é o comércio de veículos, motos, partes e peças, que está entre os quatro maiores na inauguração de lojas. Neste caso, diante do ainda fraco crescimento da economia, Bentes acredita que a expansão tenha sido puxada pelas lojas de autopeças, para reposição.

Estados. O estudo traça também o retrato regional da expansão do varejo. Os quatro Estados que lideram a recuperação da abertura de lojas – Mato Grosso, Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo – são aqueles nos quais as vendas mais cresceram neste ano.

As vendas do varejo do Espírito Santo, por exemplo, avançaram 14,5% até outubro – o melhor desempenho entre as demais unidades da federação. Foram abertas 442 lojas, com avanço de 1,7% ante dezembro de 2017. O melhor resultado do varejo e da abertura de lojas, reflete, segundo Bentes, da CNC, a saúde fiscal do Estado. “As contas públicas do Espírito Santo estão entre as melhores do País.”

Já os Estados que mais fecharam do que abriram lojas são aqueles que enfrentam crise fiscal e resultados mais fracos de vendas. Nesse grupo estão o Rio, com retração 1,6% no saldo líquido de lojas, e Roraima, na lanterna do ranking.

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Após fechar 223 mil lojas em três anos, varejo retoma inaugurações

Expectativa é de que setor termine 2018 com saldo de 7 mil novos estabelecimentos comerciais no País; números demonstram recuperação gradual da confiança dos empresários e dos consumidores após recessão, segundo a CNC

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2018 | 19h10

Neste ano, pela primeira vez desde o início da crise, o varejo abriu mais lojas do que fechou no País. Até outubro, entre abertura e fechamento de pontos de venda, 6 mil unidades foram inauguradas e a expectativa do setor é que o ano termine com um saldo de 7 mil novos estabelecimentos. Os números demonstram uma retomada do varejo, ainda que lenta e insuficiente para compensar o estrago dos anos de recessão. Entre 2015 e 2017, 223 mil lojas fecharam as portas. 

O movimento de expansão do comércio foi captado por um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O levantamento indica que 2018 será o melhor ano para o setor desde 2013, quando o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceu 3,6% e registrou a abertura de 36,3 mil lojas, antes de mergulhar na crise.

“A recuperação neste ano, no entanto, tem sido gradual”, diz o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. Um sinal disso é que mais da metade das aberturas de lojas está concentrada em redes que vendem itens de primeira necessidade, como supermercados e farmácias. 

 A greve dos caminhoneiros, em maio, e a corrida eleitoral, no segundo semestre, abalaram a confiança de empresários e consumidores e tornaram mais lenta a retomada de todos os setores da economia, incluindo o varejo. A definição das eleições, segundo Bentes, melhorou as perspectivas. 

O empresário Sergio Zimerman, presidente da varejista Petz, que vende produtos para animais de estimação, atribui a expansão da rede ao sucesso de seu modelo de negócio e à troca de governo. “Se as coisas não estivessem caminhado nessa direção, eu estaria preocupado”, disse. A Petz abriu 18 novos pontos de venda em 2018. O último foi inaugurado ontem em São Paulo. Zimerman gastou R$ 100 milhões em expansão neste ano e pretende desembolsar o dobro no ano que vem, com 34 novas lojas.

A mudança de humor dos empresários, principalmente após as eleições, ficou evidente para Daniel Garcia, sócio-diretor do estúdio Jacarandá, um escritório de arquitetura especializado em varejo. “A aceleração dos projetos de novas lojas ocorreu no segundo semestre.” Seu escritório deve fechar o ano com 165 projetos – 57% mais que em 2017. 

Para 2019, Garcia tem 250 novas lojas na prancheta. Para dar conta do aumento de volume de trabalho, o arquiteto já ampliou em 30% o número de funcionários e vai dobrar o tamanho do escritório no ano que vem.

Segundo Bentes, da CNC, existe uma defasagem de ao menos seis meses entre o desempenho das vendas e as decisões de investimentos. Assim, a retomada vista neste ano reflete o crescimento de 4% do varejo no ano passado e de 5,3% até outubro.

 

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Varejistas aceleram expansão em 2019

Aumento da confiança e do faturamento nos dois últimos anos, além dos custos ainda baixos de aluguel e mão de obra, ajudam na retomada

Márcia De Chiara , O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2018 | 19h10

Com o início de um novo ciclo de crescimento econômico que se desenha, a expectativa para o ano que vem é de que o saldo de novas lojas mais que dobre em relação ao resultado deste ano. Nos cálculos da Confederação Nacional do Comércio (CNC), entre aberturas e fechamentos, até 15 mil novos pontos de venda devem entrar em operação em 2019. 

Para projetar esse número, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, considerou a melhora da confiança dos empresários do setor e a perspectiva de um crescimento maior do faturamento do comércio em 2019. As vendas do varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, deve crescer 5,2% em 2019, ante 4,5% este ano. Até outubro o avanço foi de 5,3%.

Pesquisa nacional feita recentemente pela CNC com 6 mil empresários do setor mostra que 42% dos varejistas estavam dispostos a investir no seu próprio negócio. Isso significa ampliar lojas ou abrir filiais. No final de 2017, a mesma enquete indicou que 38% pretendiam fazer expansões. 

Essa maior disposição para ampliar o próprio negócio é confirmada pelo Ibope Inteligência. A consultoria registrou neste ano, especialmente a partir do segundo semestre, crescimento de 67% na procura por pesquisas que identifiquem os melhores mercados e os pontos com maior potencial de faturamento para decidir onde as novas lojas serão abertas. “Temos a impressão de que os empresários do varejo vão pisar no acelerador”, diz Fábio Caldas, diretor de shoppings e varejo do Ibope.

Além do aumento da demanda por estudos de geolocalização das lojas, Caldas aponta que o aquecimento do varejo é nítido. E isso sustenta, na sua opinião, a retomada dos investimentos em expansão. Em novembro, pelo quarto mês seguido, o fluxo de consumidores nos shoppings cresceu 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado, depois de ter ficado no vermelho entre maio e julho. Os dados são do Iflux, indicador apurado pela consultoria em parceria com a Mais Fluxo.

Despesas. Outro fator que impulsiona as decisões de investimento neste momento são as despesas do setor, que ainda continuam num patamar mais baixo, como os aluguéis comerciais. “Para os varejistas que estão com capital, a oportunidade é agora”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, vislumbrando o crescimento mais forte da economia em 2019. Por causa do grande volume de espaços vagos nos shoppings, a negociações estão mais favoráveis aos lojistas. É possível obter descontos na locação e prazos maiores de carência, explica Sahyoun. 

A redução dos despesas para abrir novas lojas é confirmada pelo diretor geral da rede de lanchonetes Bob’s, Marcelo Farrel. “O aluguel teve uma redução importante e também há uma oferta maior de mão de obra”, acrescenta o executivo. Ele lembra que, anos atrás, quando a economia estava a todo vapor, esses gastos estavam tão altos que acabavam por limitar a expansão.

Em 2018, o Bob’s abriu 75 lojas, 15 a mais do que o ano anterior. Na semana passada, foram inaugurados seis pontos de venda numa tacada só. A grande concentração de aberturas ocorreu para aproveitar o bom momento de vendas da virada do ano, explica o executivo. Para 2019, estão previstos, entre franquias e lojas próprias, 100 novos pontos de vendas da marca, com investimentos que somam R$ 200 milhões. 

O Habib’s também está otimista com a expansão. “No mercado de fast-food, o importante é chegar antes do concorrente”, diz Mauro Saraiva, presidente do Grupo Habib’s. O plano do Grupo, que reúne as bandeiras Habib’s, Ragazzo, Complexo H e Tendall Grill, é inaugurar 125 pontos de venda no ano que vem. 2019 será o maior ano de expansão do Grupo, com investimentos de R$ 100 milhões, considerando aportes de franqueados e próprios. Neste ano, foram abertas 75 lojas, que absorveram R$ 60 milhões. Além do mercado imobiliário e da conjuntura, ambos favoráveis à expansão, Saraiva ressalta que o Grupo criou um formato de loja menor, o que facilita o crescimento rapidamente.

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