Supermercados enfrentam 'aperto'

A tendência dos consumidores de reduzir gastos e economizar tem provocado ajustes entre as redes de supermercados. Os varejistas, ao longo de 2014, já reportaram redução do fluxo de clientes nas lojas e as promoções ganharam relevância na briga por participação de mercado. No próximo ano, o setor terá o desafio de equilibrar as promoções que incentivem vendas com novas pressões de custo.

O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2014 | 02h01

A sensibilidade a preço já tem afetado hábitos de consumo. A maior mudança, diz a analista de mercado da Nielsen, Sabrina Balhes, é a redução no número de vezes que as pessoas vão às compras. Além disso, entre agosto e outubro, as vendas em volume dos supermercados tiveram alta de 0,5% frente ao ano anterior, segundo a Nielsen.

O brasileiro está inseguro sobre o futuro financeiro em 2015. Uma pesquisa do Boston Consulting Group mostra essa preocupação: 21% dos entrevistados temem que a inflação reduza seu poder de compra.

Além de enfrentar a demanda fraca, os supermercados projetam altas de custos com mão de obra e produtos importados, por exemplo. O esperado reajuste de tarifas administradas pelo governo para 2015 deverá impactar ainda mais os custos, segundo Adriana Molinare, analista da Tendências Consultoria.

No Grupo Pão de Açúcar, a resposta ao cenário será a continuidade de uma estratégia de preços mais agressiva. Para o presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad), José do Egito Lopes Filho, o fator preço será preponderante em 2015: ele diz que os pequenos varejistas já mudaram o sortimento das lojas para marcas de baixo preço.

'Loja própria pode ajudar indústria a mostrar produtos'  

Ter uma operação de poucas lojas no varejo pode ser uma estratégia para grandes indústrias melhorarem a exposição de seus produtos em redes multimarcas. Segundo Júlio Takano, da consultoria em varejo KT, as empresas podem usar as experiências próprias no varejo para mostrar melhor seu portfólio e provar para a clientela - que continuará a distribuir a maior parte dos produtos - que é possível ampliar a linha para buscar novos clientes. Empresas como a Tramontina e a Artex já trilharam este caminho.

Por que uma indústria deve abrir uma operação de varejo?

As lojas monomarca podem mostrar novos produtos, em especial aqueles que os clientes consideravam caros demais. Algumas indústrias ainda temem fazer isso, por medo de conflitos, mas Tramontina, Artex e Regina Festas já trilharam esse caminho.

Os lojistas acabam indo a essas lojas conceito?

Sim. A Tramontina fez a loja própria piloto no Rio de Janeiro, onde tinha um mercado fraco. O carioca, pelo clima, recebe menos em casa. Como a loja é bonita, os clientes compareceram e perceberam que havia aderência para novos produtos no Rio.

A rede Artex nasceu para servir a essa necessidade da indústria?

Sim, mas hoje é uma rede de mais de 60 lojas. A marca é muito conhecida, mas era mal exposta. O produto tinha boa qualidade, mas era malvisto. A loja acabou sofisticando a visão sobre o produto.

E agora essa noção chega ao mercado de festas?

Sim. A Regina Festas é distribuída em supermercados, na Armarinhos Fernando e em butiques de festas. A Shér!, nos Jardins, é uma estratégia monocanal da Regina para mostrar seu portfólio.

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