Nilton Salinas/Estadão
Nilton Salinas/Estadão

Supermercados europeus param de vender carne brasileira por desmatamento

Desmatamento na Amazônia brasileira aumentou quase 22% entre agosto de 2020 e julho de 2021

Reuters

16 de dezembro de 2021 | 15h32

SÃO PAULO/AMSTERDÃ - Seis redes europeias de supermercados, inclusive duas de propriedade da empresa holandesa Ahold Delhaize e uma subsidiária do Carrefour, anunciaram na quarta-feira, 15, que vão parar de vender uma parte ou todos os derivados de carne bovina brasileira por conta de laços com o desmatamento da Floresta Amazônica. Os compromissos vão desde o anúncio da rede de supermercados Lidl Netherlands, que se comprometeu a parar de vender todo tipo de carne oriunda da América do Sul a partir de 2022, a decisões mais direcionadas, como interromper vendas de determinados tipos de carne. Muitos dos produtos afetados são da JBS, a maior produtora de proteína animal do mundo.

Os boicotes são uma resposta a uma investigação conjunta da Repórter Brasil, do The Bureau of Investigative Journalism e do jornal britânico The Guardian que apontou que a JBS comprou gado de uma fazenda com pastos desmatados ilegalmente. A reportagem apontou que os bovinos foram levados desta fazenda a outra do mesmo dono antes de serem vendidas à JBS, uma prática conhecida como "triangulação de gado".

A JBS disse à Reuters que tem tolerância zero com desmatamento ilegal e que já parou de trabalhar com mais de 14 mil fornecedores que não cumpriam com o compliance da empresa. A JBS afirmou que monitorar fornecedores indiretos - aqueles anteriores à venda final para o abatedoro - é um desafio para o setor inteiro, mas que irá implementar até 2025 um sistema que consiga fazê-lo.

A processadora de carne afirmou que a investigação da Repórter Brasil mencionou apenas cinco de 77 mil fornecedores diretos da empresa, e que os demais alcançam os padrões da JBS no momento da compra.

O desmatamento da Floresta Amazônica, a maior floresta tropical do mundo, disparou desde a posse do presidente Jair Bolsonaro em 2019, com seu governo revogando medidas de proteções ambientais. Bolsonaro afirma que busca mais agricultura e mineração na Amazônia para tirar a região da pobreza. O desmatamento na Amazônia brasileira aumentou quase 22% entre agosto de 2020 e julho de 2021, em relação ao período anterior, marcando um recorde nos últimos 15 anos.

Entre outros compromissos das empresas europeias, a Albert Heijn, subsidiária da Ahold Delhaize, maior rede de supermercados da Holanda, vai parar completamente de comprar carne bovina brasileira. Um porta-voz da Albert Heijn disse à Reuters que a companhia vende, atualmente, apenas alguns produtos de origem brasileira por semana. 

A francesa Auchan também removerá produtos de carne ligados à JBS de suas prateleiras.

As redes de supermercado Carrefour e Delhaize da Bélgica vão parar de vender a marca de carne seca da Jack Link's. JBS e Jack Link's têm uma joint venture que produz carne seca. Procurada, a Jack Link's não comentou. 

No Reino Unido, a Sainsbury's disse que vai parar de comprar a carne bovina que vende com sua própria marca do Brasil, e disse que 90% de sua carne bovina já é oriunda do Reino Unido e da Irlanda.

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