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Supermercados mantêm remarcações

As remarcações de preços nas gôndolas dos supermercados, embora com menor intensidade do que nas últimas semanas, devem continuar ocorrendo pelo menos até o início do próximo mês. As redes de supermercados informam que ainda há insistência generalizada da indústria por aumentos e altas represadas."Mais uns 15 dias e acredito que o clima de pressão dê uma esfriada", diz o diretor comercial do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem. Como exemplos de produtos que podem registrar altas ele cita café, massas e biscoitos. Nas outras linhas, os repasses já foram feitos. Bethlem diz que a queda do dólar, ao contrário do que esperava, não se refletiu até o momento nos preços dos produtos: "Com exceção do frango, com um recuo de 5% no leilão eletrônico, não há outra sinalização de queda".Wilson Tanaka, presidente do Sincovaga, entidade que representa os supermercados médios e pequenos, observa que depois dos produtos básicos é a vez dos aumentos dos chamados subprodutos do açúcar, farinha, soja e outros. Os reajustes de produtos como achocolatados, bicoitos, doces, entre outros que estão incluídos neste segmento, são de 8% a 12%. "Até o fim do ano o consumidor deve sentir no bolso os repasses diluídos", comenta.O gerente de Marketing da Bauducco, Paulo Cardamone, queixa-se de um aumento de 95% no trigo, 101% na gordura vegetal e de 140% no cacau no período de 12 meses encerrado em setembro. Ele diz que só conseguiu repassar 12% para o varejo, está com forte aperto de margem e sem espaço para aumentar mais no momento.Na sua avaliação, as empresas têm de pensar se é mais importante manter a fatia de mercado com volume de vendas ou a margem de lucro.Não há falta de produtos, mas escassez de algumas marcas. "Manteiga está com uma variedade de marcas limitada, por ser um derivado de leite, com pouca oferta no mercado pela entressafra", diz o diretor do Pão de Açúcar. Nem todas as marcas de café também eram encontradas na semana passada na rede.O clima político também permanece como justificativa para os reajustes da indústria, segundo o varejo. "Enquanto o empresário tiver receio do futuro, vai utilizar o preço de sua mercadoria como escudo protetor", diz Martinho Paiva Moreira, do supermercado Starsuper e ex-diretor da rede D´Avó. "Na pressão por aumento existe um pouco de ´hedge´ (proteção)".Bethlem, do Pão de Açúcar, vai na mesma linha de raciocínio: "Tivemos a especulação pré-eleitoral nos preços e agora temos um pouco a pós-eleitoral, mesmo com o novo governo acenando com continuidade e maior autoridade". Ele prevê uma melhoria do cenário após a posse de Lula.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2002 | 08h13

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