Supermercados negociam para elevar venda de marcas líderes

A deterioração do poder de compra do consumidor está fazendo crescer a participação das marcas de produtos denominados primeiro preço ou menor preço nas vendas dos supermercados. São itens que podem custar até a metade dos líderes e estão cada vez mais presentes nos carrinhos, configurando claramente a migração do consumo dos produtos mais caros para os mais baratos, como alternativa à queda de renda. Atentos a esta tendência, os supermercados estudam ações para reforçar a venda das marcas líderes.Uma pesquisa feita recentemente pela AC Nielsen com 134 categorias de produtos revelou que volume comercializado nos supermercados cresceu 11,9% entre 2001 e 2003, sendo que as marcas líderes avançaram apenas 7,8%, enquanto as demais marcas subiram 13,3%, com impacto claro sobre o faturamento dos supermercados, pois são produtos com margem de lucro menor.No Grupo Pão de Açúcar, estes produtos respondem hoje por 6% do faturamento. São 800 itens nesta classificação, sendo que há cerca de dois anos eram apenas 100. Por conta disso, após a onda de reajustes de preços verificada recentemente que reforçou este movimento, a empresa está fazendo um corpo-a-corpo com fornecedores para tentar revisar, para baixo, as tabelas de preços praticadas por eles, a fim de que ´devolvam´ os aumentos. O argumento é de que a demanda está muito abaixo da oferta. As indústrias, entretanto, não estão dando sinalização positiva à solicitação, informou o diretor executivo comercial, Hugo Bethlem. Algumas alegam que ainda nem repassaram todo aumento de custo que tiveram. A nova oscilação do dólar está acrescentando ainda mais nervosismo às discussões.PromoçõesO Carrefour também está tentando reagir ao avanço do que chamou de "marcas talibãs" e vai realizar a partir de amanhã até o dia 25 uma promoção que promete descontos de até 20% em 700 produtos considerados líderes em suas categorias. Os acordos envolvem 100 grandes fornecedores das seções de alimentos e não-alimentos. A empresa francesa afirma que a promoção, idealizada há cerca de 60 dias, já foi feita em outras ocasiões, mas desta vez terá maior abrangência. "Achamos que seria interessante tratar as líderes de forma diferente do que vínhamos fazendo", disse Alfredo Cernik, diretor de Marketing. Além dos tablóides, cuja tiragem será de 6 milhões de exemplares, a empresa fará também chamadas na televisão. Cernik estima que as vendas devam crescer entre 15% e 18%.

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