Supermercados: novos reajustes

Uma nova rodada de reajustes de preços está batendo às portas dos supermercados e poderá ter impacto no bolso do consumidor em setembro. Os reajustes propostos pelas indústrias oscilam entre 3% e 15% e estão concentrados especialmente nos alimentos e artigos de limpeza, que têm como matéria-prima produtos básicos, que já subiram no mês passado.Essa pressão por aumentos não deve comprometer as metas de inflação, mas pode manter os índices de preços ao consumidor em alta por um período maior do que o previsto e diminuir ainda mais a renda da população disponível para consumo, forte argumento usado pelo varejo para reduzir os reajustes. O próprio Banco Central optou por manter os juros em 16,5% ao ano para avaliar o impacto da alta expressiva dos últimos indicadores de preços na trajetória futura da inflação. Veja a seguir a possibilidade da meta de inflação do governo não ser cumprida, segundo o ministro Pedro Malan.De acordo com supermercadistas, a pressão por aumentos de preços ocorre no leite condensado, bebidas destiladas, refrigerantes, massas, biscoitos e chocolate em barra. Produtos que têm como ingredientes o açúcar, a farinha de trigo e o álcool serão os vilões dos aumentos. Também os fabricantes de artigos de limpeza produzidos a partir de derivados de petróleo estão pleiteando reajustes devido à alta da matéria-prima básica. Além disso, há focos de alta de preços no óleo de soja e no açúcar, que estão pressionados pela escassez de oferta das matérias primas, e não têm substitutos.Quilo do açúcar pode chegar a R$ 1,00O quilo do açúcar poderá custar R$ 1,00 em setembro, acreditam os supermercadistas que já estão vendendo o produto a R$ 0,95. Mas para o presidente da Usina Nova América, Roberto de Rezende Barbosa, a previsão é exagerada e não existem fundamentos de mercado que sustentem essa alta. O presidente da União Nacional da Agroindústria Canavieira, Eduardo Carvalho, relata que a seca e a falta de cuidados com a lavoura de cana-de-açúcar reduziram em 20% a safra, encarecendo açúcar e álcool.O presidente da Associação Brasileira de Bebidas, Fabrizio Fasano, observa que o setor de destilados tem pressão de custos no álcool e no açúcar. A Nestlé, fabricante de chocolate em barra, leite condensado e leite em pó, informa que não vai se pronunciar sobre política de preços. Fabricantes de refrigerantes, como a Ambev e Panamco, negam que planejam aumentar preços.A Cargill, fabricante de óleo de soja, diz que vai haver reajuste do produto em setembro, mas não confirma o porcentual de 3% a 4%, informado pelos supermercados. A empresa atribui o reajuste ao aumento do preço do óleo bruto, das latas e do frete. Especialistas dizem que a pressão ocorre por causa da entressafra brasileira e pelo fato de que o País tenha exportado um grande volume de grãos, reduzindo a produção de industrializados. Além disso, não há possibilidade de importação de soja dos EUA porque ela é transgênica. Indústria de limpeza não confirma aumentos, mas admite custos elevadosNo setor de massas, a redução na oferta de trigo e derivados deve resultar em aumentos de 5% a 10% nas massas em setembro, diz o presidente da Abima, Aluísio Quintanilha. Jackson Schneider, presidente da Abipla, que reúne a indústria de limpeza. Ele diz não ter informações sobre os reajustes, mas admite pressões nos custos dos insumos derivados de petróleo e nas embalagens.Na análise de Denis Ribeiro, coordenador da Abia, que reúne a indústria de alimentos, as pressões de custos atingiram o pico no mês passado e estariam se revertendo. O presidente da Associação Paulista de Supermercados, Omar Assaf, diz que não há pressão de alta nos industrializados.

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