Nilton Fukuda/ Estadão
Nilton Fukuda/ Estadão

Supermercados online falham na conservação de produtos e até prazo de entrega

Pesquisa realizada pela Proteste indica irregularidades em sete dos dez estabelecimentos avaliados

O Estado de S.Paulo

03 Abril 2018 | 21h04

Uma pesquisa divulgada pela associação de consumidores Proteste indicou uma série de irregularidades em lojas virtuais de supermercados que atendem os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. A principal constatação do estudo é de que a maioria das redes falha até mesmo na conservação dos produtos comprados pela internet.

Entre os dez estabelecimentos pesquisados, sete foram reprovados em pelo menos um dos quesitos. Uma das avaliações realizada pela Proteste observava a maneira como os produtos são embalados para a entrega, algo que deixou a desejar: alguns mercados sequer separam itens de diferentes categorias como produtos de limpeza e de higiene pessoal.

Outro problema recorrente é a falta de alguns produtos solicitados. De acordo com a associação, o supermercado Zona Sul, do Rio de Janeiro, é um exemplo da ausência de controle. Em um dos pedidos, cinco itens da lista não foram entregues, mas outras dez mercadorias que não integravam a solicitação foram enviadas mesmo assim.

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A diferença de preços também merece atenção do consumidor, alerta a Proteste. No site do Pão de Açúcar, em São Paulo, o valor do presunto cozido Sadia era R$ 7,29. Na finalização da compra, o preço subiu para R$ 7,49. “Por isso, fica a dica: ao receber a mercadoria, lembre-se de conferir a nota”, recomenda a associação.

As quantidades oferecidas pelas lojas online também deixaram a desejar. Segundo a Proteste, alguns itens estão disponíveis em versões de 250 gramas ou 500 gramas, por exemplo, sem meio termo. Todos os estabelecimentos avaliados apresentaram este problema.

Já os supermercados SuperPrix, Zona Sul, Mambo e Hirota foram os piores avaliados quanto a disponibilidade dos produtos à venda. Algumas lojas sequer avisaram sobre a falta de determinado item, nem ofereceram a troca.

“O ideal é que, antes da entrega, a loja entre em contato com o consumidor não só informando sobre a ausência do produto no estoque como oferecendo a possibilidade de troca ou desistência”, avalia a associação.

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Quem deseja receber suas compras no conforto do lar também precisa ter um horário flexível ou contar com a ajuda de alguém que possa receber as compras. A associação observou que alguns estabelecimentos não fazem entregas aos domingos, após as 18h e nem no mesmo dia em que o pedido é realizado. Porém, o único que descumpriu com o prazo estipulado para a entrega foi o Zona Sul. Em relação as taxas, todos cobram um valor simbólico para o serviço delivery, exceto o carioca SuperPrix, que tem entrega grátis.

Avaliação. A Proteste avaliou que os supermercados online de São Paulo são melhores do que os do Rio de Janeiro. De acordo com a associação, "Extra Delivery e o Pão de Açúcar são boas alternativas para o paulistano que prefere a comodidade do lar ao fazer as compras, mas sem se preocupar com produtos faltando, divergência de preços ou atraso na entrega."

Após o estudo, o Proteste informou, por meio de nota, que "diante dos resultados encontrados, especialmente os relacionados ao acondicionamento e estado dos produtos entregues, solicitou a fiscalização dos supermercados junto à Vigilância Sanitária. A Associação também enviou o estudo à Associação Brasileira de Supermercados (Abras), uma vez que as lojas disponibilizaram produtos impróprios para o consumo, o que vai contra o Código de Defesa do Consumidor."

Empresas. Em nota, o Hirota informou que quando um produto não está disponível nas gôndolas, o cliente é automaticamente acionado para responder se deseja o cancelamento da compra ou a substituição por um item semelhante. Além disso, a empresa afirma que está aprimorando sua plataforma de e-commerce.

A assessoria de imprensa do Mambo diz que "avisa os clientes caso não tenha o produto em questão" e que as falhas encontradas foram pontuais, causadas por um problema operacional. Sobre a falta de produtos, a companhia informa que "o processo será revisto e melhorado."

A SuperPrix comunicou que está "aperfeiçoando" os processos internos para que os mesmos problemas encontrados durante a pesquisa não ocorram novamente.

Por meio de nota, o Grupo Pão de Açúcar, responsável pelas lojas de mesmo nome e também pelo Extra, afirma que a diferença de preço observada ocorre de acordo com o tipo de frete e região em que a entrega é selecionada. Além disso, a rede reforça a existência de uma mensagem que deixa o consumidor ciente destas condições.

O supermercado Zona Sul não respondeu a reportagem.

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