Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Supermercados preveem 1º trimestre fraco e mais demissões

Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados, meses terão 'rearranjo mais forte' nas vagas de emprego

Dayanne Sousa, O Estado de S. Paulo

27 de janeiro de 2016 | 15h16

SÃO PAULO - O começo de 2016 ainda será um período de ajustes para as empresas do varejo de supermercados, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A entidade acredita que os primeiros meses do ano devam seguir na tendência fraca de vendas dos últimos meses de 2015 e as companhias poderão ter que dar continuidade aos movimentos de cortes de custos como os do ano passado, culminando em demissões.

O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, avalia que os três primeiros meses desse ano ainda poderão registrar um "rearranjo mais forte" nas vagas de emprego do setor, em especial os formatos de loja que estão perdendo mais vendas, como os hipermercados. Uma parte disso pode ser ofuscada, diz, porque ainda há expectativa de crescimento e abertura de novas lojas no chamado "atacarejo" e nas lojas de vizinhança.

O ano já começou com as notícias de fechamentos de loja no Walmart. No Brasil, a companhia confirmou que ocorreu o fechamento de 60 pontos de venda.

Depois de apurar um recuo real de 1,9% nas vendas do setor supermercadista em 2015 ante 2014, a Abras projetou uma expectativa de queda de 1,8% em 2016. Se confirmada a expectativa da entidade, será a primeira vez desde o início da série histórica, em 2001, que as vendas terão queda real por dois anos seguidos. A queda de 2015 foi a mais alta desde 2003, quando o setor recuou 4,29%.

A perspectiva para geração de emprego e abertura de novas lojas é negativa, porque a confiança dos empresários do setor segue em baixa. O Índice de Confiança do Supermercadista, medido pela Abras, ficou em 46,2% em dezembro, mantendo-se desde o início do ano em patamar inferior a 50%, o que indica pessimismo.

O varejo de supermercados ainda tende a sofrer com as perspectivas ruins para o comportamento da renda real dos consumidores, segundo avalia a Abras.

O economista da entidade, Flávio Tayra, considera que a possibilidade de uma continuidade da deterioração da taxa de desemprego deve pesar sobre o setor. "Com a queda da massa salarial e o desemprego, consideramos muito difícil que o setor possa ter números positivos esse ano", comentou.

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