Supermercados se recuperam e vendas crescem em maio

Apesar da alta dos preços dos alimentos, aumento da renda e do crédito impulsionam os negócios do setor

JACQUELINE FARID, Agencia Estado

15 de julho de 2008 | 09h08

A alta da inflação ainda não afetou os resultados do varejo. As vendas do setor cresceram 0,60% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o aumento foi de 10,5%. Até mesmo as vendas do segmento de hiper e supermercados, que tinham mostrado forte perda de ritmo em abril, registraram recuperação em maio. As vendas do grupo, que tinham caído 0,2% em abril ante março, cresceram 1,1% em maio ante abril. Na comparação com igual mês do ano passado, cuja alta havia sido de apenas 0,5% em abril, chegou a 8,4% em maio. As informações foram divulgadas pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 15.  Veja também:De olho na inflação, preço por preçoEntenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos   Em abril, o técnico da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, havia avaliado que a desaceleração nos resultados desse segmento poderia ter sido provocada pelo aumento nos preços dos alimentos mas, segundo afirmou nesta terça, os dados de maio mostram que a principal influência negativa em abril foi dada pelo efeito calendário, por causa da Páscoa.  Segundo Pereira, os dados do varejo em maio mostram que o aumento da renda e do crédito continuam impulsionando as vendas do setor. O segmento de hiper e supermercados é o que tem o maior peso (cerca de 30%) nos resultados da pesquisa mensal de comércio do IBGE.  Os dados do comércio varejista relativos a maio, de acordo com Pereira, mostram que a desaceleração dos resultados do setor que havia sido apurada em abril resultou de um efeito calendário provocado pela Páscoa - que este ano foi em março e, no ano passado, em abril, provocando uma base de comparação elevada para o mês em 2008.  "As variações em maio foram significativas, o varejo voltou aos patamares do primeiro trimestre (de 2008). Como já tínhamos previsto, o varejo ainda não sofreu repercussão da inflação e do aumento do preço dos alimentos", adiantou Pereira.  O resultado veio dentro das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado (-1,00% a 1,40%) e acima da mediana, de 0,40%. Na comparação com maio de 2007, as estimativas apontavam uma alta entre 5,7% e 11,2%, com mediana de 9,90%. De janeiro a maio, as vendas do varejo acumulam alta de 10,9% ante igual período do ano passado e, em 12 meses, de 10,30%.  O índice de média móvel trimestral do comércio varejista, considerado o principal indicador de tendência, mostrou expansão de 0,77% no trimestre encerrado em maio ante o terminado em abril, segundo divulgou há pouco o IBGE. O resultado foi bem acima do índice apurado em abril (0,32%) ante o trimestre finalizado em março.  Atividades Das dez atividades do varejo pesquisadas pelo IBGE, apenas os grupos de tecidos, vestuário e calçados (-1,0%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-0,1%) mostraram queda nas vendas em maio ante abril. Na comparação com o mês anterior, o maior aumento em maio foi registrado no grupo de equipamentos para escritório, informática e comunicação (5,1%). Na comparação com maio do ano passado, todas as dez atividades mostraram expansão nas vendas. As maiores altas foram apuradas em equipamentos para escritório, informática e comunicação (29,9%) e móveis e eletrodomésticos (16,1%).

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