Supermercados têm margens de lucro recordes em 2011

Margem líquida sobre a receita de R$ 227,2 bilhões subiu para 2,7% e superou a média histórica de 1,9%

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h05

De carona no aumento da renda do brasileiro e na ascensão das classes sociais, os supermercados ampliaram a margem de lucro para níveis recordes no ano passado. Em 2011, a margem de lucro líquido do varejo de autosserviço atingiu 2,7% sobre o faturamento anual de R$ 227,2 bilhões, aponta 41.º Relatório Anual da revista Supermercado Moderno.

A pesquisa, que é uma espécie de radiografia do varejo de autosserviço, foi feita com 350 empresas do setor. Ela inclui informações de lojas de vizinhança, supermercados, hipermercados e até atacarejos. "Historicamente, a margem média gira em torno de 1,9% e nunca chegou perto de 3% sobre a receita, como ocorreu no ano passado", afirma Valdir Orsetti, responsável pela pesquisa. Em 2009 e 2010, as margens de lucro, descontados os impostos, foram de 1,77% e de 2,05%, respectivamente.

A pesquisa mostra que os varejistas aproveitaram para melhorar as margens no ano passado em relação ao anterior exatamente em seções das lojas nas quais as comparações de preços com os concorrentes são mais difíceis, porque os produtos são diferenciados, o consumidor tem menor memória de preços e, além disso, está disposto a desembolsar mais. "O consumidor não sabe quanto vale uma xícara, mas sabe exatamente quanto custa um pacote de arroz ou feijão", exemplifica Orsetti.

De acordo com a pesquisa, a seção que mais ampliou a margem de remuneração no ano passado na comparação com o anterior foi padaria e confeitaria, seguida pela seção de higiene e beleza e a de bazar. "É possível fazer um pão mais incrementado e cobrar mais", diz ele.

Preferências. Pela primeira vez a pesquisa revelou as preferências de compras por região. Isto é, quais são as seções por região do País que respondem por uma fatia de vendas superior à média do mercado brasileiro.

De acordo com esse critério, dois destaques são as regiões Centro-Oeste e Nordeste. As vendas de artigos de bazar responderam por 4,5% das vendas lojas localizadas no Centro-Oeste, resultado que superou a média nacional para essa seção, que foi de 3,9%. O resultado se repete no caso dos itens de padaria e confeitaria. Eles responderam 5,9% das vendas no Centro-Oeste, ante 4,8% da média nacional. "Há poucas indústrias de artigos de bazar nessa região", argumenta Orsetti para explicar a maior fatia nas vendas.

No Nordeste, o destaque foram os produtos congelados e resfriados, que responderam por 9,6% das vendas, ante 7,6% da média nacional; e os artigos de higiene e beleza, com fatia de 8,3% das vendas na região, enquanto a média nacional foi de 7,1%. A explicação para o bom desempenho das duas seções se deve às altas temperaturas da região.

Segundo Orsetti, a temperatura também é fator determinante para explicar a elevada participação dos itens de mercearia doce, como bolacha e biscoitos, no Sul, com 8,2%, ante 7,5% da média nacional. É que o consumidor do Sul tem hábito de tomar chá e café e os biscoitos são complemento. Já o grande destaque no Sudeste são os produtos lácteos, com 6,7% das vendas, enquanto a média é de 5,9%. No Norte, os hortifrútis detêm 11,5%, ante 8,5% no País.

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