Supermercados tentam driblar a retração de consumo

As redes de supermercado têm buscado soluções criativas para driblar a retração de consumo no comércio varejista este ano, que vão desde a reformulação de lojas a investimentos em produtos de marca própria e em produtos importados. Embora reconhecendo que 2003 não foi bom para as vendas, executivos das redes Sendas, Zona Sul e Bompreço estão confiantes em uma pequena recuperação no último trimestre do ano. Já o Pão de Açúcar aposta em eventos como a Expo Abras, feira promovida pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) a partir desta segunda-feira, no Rio, para aumentar a exposição de sua marca junto aos fornecedores e a representantes do governo.A Sendas já iniciou a corrida para aumentar as vendas no segundo semestre deste ano. Recentemente, a empresa anunciou novo conceito de loja, que incluirá funcionamento 24 horas, manobrista, cafeteria, sushiman, e até programação cultural. Até o final do ano, serão 13 lojas reformuladas dentro do novo padrão, que incluirá mix de produtos diferenciados e de maior valor agregado.Segundo o diretor-comercial da empresa, Valdemar Machado, a empresa espera um pequeno crescimento este ano, graças à introdução deste novo conceito de loja. De janeiro a agosto deste ano, a empresa teve queda de 3,5% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado. A marca possui atualmente 78 lojas no Rio de Janeiro, nas bandeiras Sendas, Bon Marché e Casa Show.No caso da Expo Abras, a Sendas usará o evento para iniciar parcerias com fornecedores para criação de produtos de marca própria. O grupo está dando uma importância tão grande à feira este ano, que até participará pela primeira vez como expositora, com direito a estande no pavilhão de marcas próprias. "A Sendas é forte em produtos de marca própria e queremos mostrar aos fornecedores, na Expo Abras, que estamos abertos à negociações para parcerias na fabricação de nossos produtos de marca própria", disse o diretor de marca própria do grupo, Marco Quintarelli.Segundo o executivo, o segmento de marca própria representa 7,5% do faturamento do grupo, que em 2002 foi de R$ 2,5 bilhões. "Nosso objetivo é que, em dois anos o segmento represente de 12% a 15% do nosso faturamento", afirmou. Ele explica que investir em produtos de marca própria é uma saída inteligente para atrair o bolso do consumidor, já que este tipo de item normalmente tem preço mais baixo, em torno de 15% a 20% inferior do que o preço das marcas líderes do segmento, segundo pesquisa do grupo. Atualmente, o grupo possui 1.150 itens.Quintarelli informou ainda que, aproveitando a grande exposição que o evento oferece às marcas do setor de varejo, serão lançadas duas novas linhas de produtos Sendas na feira: o Feira Viva (de frutas, legumes) e Viva Saudável (produtos light e diet).O grupo Pão de Açúcar, por sua vez, tem o segmento de marcas próprias como estratégico no desenvolvimentos negócios da empresa. Segundo o diretor de marcas próprias da empresa, Rodolpho Freitas, as vendas de marcas próprias dentro do grupo já apresentam crescimento de 119% no primeiro semestre de 2003 em comparação com o mesmo período do ano passado. O objetivo é de que esse segmento responda por 15% das vendas do grupo até 2005."Atualmente, segundo a Nielsen, o setor de marcas próprias representa entre 4,5% e 5% do faturamento no varejo brasileiro. A tendência de crescimento ainda é muito grande se compararmos ao mercado externo onde a participação gira entre de 15% e 39%, em países como EUA e Inglaterra, respectivamente", afirmou.O Pão de Açúcar também tem grandes interesses na exposição de sua marca na Expo Abras. Outro fator destacado pela empresa é a vantagem do contato de executivos do setor com representantes do governo, presentes ao evento, cuja abertura será realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o diretor de Comercialização e Commodities do Grupo Pão de Açúcar, vice-presidente da Abras e vice-presidente de Abastecimento da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Marcio Milan, eventos como a Expo Abras são momentos importantes para a valorização do setor, "sensibilizam os governantes e dão mais visibilidade ao mercado". "É uma ótima oportunidade para o setor privado colocar seus anseios e necessidades com o momento político vivido pelo país", afirmou.?Ano de grandes dificuldades em vendas?A rede de supermercados Zona Sul, com 22 lojas do Rio de Janeiro, está confiante na tradição de que o segundo semestre é sempre melhor do que o primeiro semestre, devido ao período de Natal. Mas o gerente de marketing da rede, Jaime Xavier, foi enfático ao classificar como muito ruim o desempenho do comércio varejista no primeiro semestre deste ano. "Como ocorre com toda a economia do País o ano de 2003 está sendo um ano de grandes dificuldades em vendas. Tem sido ao longo dos meses um dos anos mais difíceis que já enfrentamos, com custos crescentes e uma enorme pressão do consumidor sobre os preços", afirmou o executivo.O foco da rede para alavancar seu faturamento não foi o segmento de marcas própria e sim o de produtos diferenciados, geralmente importados, e de maior valor agregado - o que tem impacto positivo nas vendas. "Temos sim, uma variada e ampla oferta de produtos exclusivos importados e nacionais, mas com substancial predomínio dos importados", afirmou.Por sua vez, a rede Bompreço, pertencente ao grupo holandês Ahold e que tem 118 lojas na Região Nordeste do País também tem expectativa de pequena melhora na economia no segundo semestre, o que poderia conduzir a uma pequena recuperação nas vendas. "Mas nada excepcional", afirmou o diretor de Relações com Investidores da rede, Raymundo Oliveira.

Agencia Estado,

15 de setembro de 2003 | 10h21

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