Surgem indícios de fim de um ciclo

Ainda tênues começam a surgir sinais de que começa a mudar, em alguns segmentos empresariais, a expectativa quanto à evolução da economia. São pouco mais do que indícios de melhora, que pode representar o início do fim de um ciclo. As vendas dos supermercados, por exemplo, apresentaram uma alta real de 0,24% no acumulado de janeiro a abril deste ano, em comparação com o mesmo quadrimestre de 2015, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

O Estado de S.Paulo

05 Junho 2016 | 03h06

“Queremos acreditar que o fundo do poço tenha passado”, disse o presidente do Conselho Consultivo da entidade, Sussumu Honda. “Não estamos falando em crescimento ainda, mas talvez em estabilidade.” Ele observa que o setor vinha registrando queda acumulada nas vendas desde julho do ano passado, o que torna o resultado obtido nos primeiros quatro meses deste ano ainda mais significativo.

É verdade que as vendas dos supermercados em abril tiveram uma queda real de 2,5% em relação ao mesmo mês de 2015. Mas isso, segundo Honda, é explicável pelo fato de a Páscoa, época em que as vendas no varejo registram grande alta, ter ocorrido em abril no ano passado, distorcendo a base de comparação. Já neste ano a Páscoa teve mais impacto nos resultados de março.

Descontando os efeitos da sazonalidade, Honda relaciona a expectativa de fim do ciclo de retração de vendas à mudança de orientação da economia no governo do presidente em exercício Michel Temer. Ele considera, porém, que as perspectivas para a evolução das condições de emprego permanecem ruins e que este é um fator que afeta diretamente o desempenho de sua área.

O setor supermercadista não está isolado quanto à expectativa de melhora. Como informou há pouco a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a confiança do setor de serviços subiu 1,2 ponto em maio em relação a abril, já descontados os efeitos sazonais. O índice alcançou 70,5 pontos, o maior nível desde julho de 2015, sendo o terceiro mês seguido de alta. Dos 13 segmentos pesquisados, 8 apresentaram aumento da confiança.

A FGV menciona que, pela ótica das expectativas, o volume de demanda prevista melhorou 2,5 pontos em maio ante abril, enquanto o indicador de tendência para os negócios nos próximos seis meses avançou 3,6 pontos.

A melhora das expectativas é, obviamente, condição essencial para a retomada do crescimento.

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