Surpresas na temporada de liquidações de 2015

A tradicional temporada de liquidações pelo comércio após o Natal tem neste ano padrão diferente, com a oferta de descontos elevados. As vendas foram fracas e 2014 não foi bom para o comércio, com aumento de vendas de 3,7% em relação a 2013, o menor desde 2003, segundo a Serasa Experian. Com a economia contraída, a rodada de alta de preços administrados e os juros elevados, parte do comércio busca vender o máximo que puder, evitando custos financeiros com estoques indesejados.

O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2015 | 02h04

Muitos consumidores foram atraídos por descontos de até 70%, mas as intenções de compra neste trimestre não são nada animadoras. Pesquisa do Programa de Administração do Varejo (Provar) da FIA, em parceria com a Felisoni Consultores, indica que 49,6% dos paulistanos pretendem ir às compras.

Parece um bom índice, mas é o pior desde 2007 (45,2%). E a pesquisa - com 500 consumidores - é de dezembro. E pode ter piorado com novas demissões. No comércio varejista, segundo a Fecomercio, o número de empregos formais cresceu 0,9% em novembro, comparado a novembro de 2013. Sazonalmente, um aumento tímido. O desemprego foi alto em lojas de materiais de construção, autopeças e veículos.

A pesquisa do Provar/FIA revela que as intenções de gastos pelo consumidor são hoje menores para a maioria dos produtos. Entre as exceções, lojas com estoque de bens favorecidos por reduções de IPI, como linha branca e automóveis. Mas a pesquisa prevê que a maior queda na intenção de gastos dá-se na compra de geladeiras, fogões e lavadoras de roupa. Os veículos já tiveram, em dezembro, um mês favorável, antes do aumento do IPI. A federação das concessionárias (Fenabrave) projeta queda de vendas de 0,43% em 2015, após um 2014 ruim.

Além da incerteza quanto à evolução da economia, os consumidores têm menos dinheiro para comprar duráveis após despesas de alimentação, transporte, moradia, energia, educação e tributos como IPVA e IPTU. O disponível para gastar era estimado em 11,1% dos rendimentos dos consumidores no último trimestre do ano passado e deve cair para 9,2% no primeiro trimestre de 2015, segundo o levantamento.

Naturalmente, esse porcentual varia de acordo com a categoria a que pertencem os trabalhadores, mas, ao que tudo indica, o encolhimento do mercado formal de trabalho tenderá ainda a afetar a concessão de aumentos de salários acima da taxa de crescimento da inflação.

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