Susan Schwab compara Brasil e Índia a adolescentes

Secretária critica a resistência de emergentes em abrir mercado industrial

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2007 | 00h00

A Casa Branca comparou Brasil e Índia na Rodada Doha a "adolescentes" que acabam de tirar a carteira de motorista. Os comentários foram feitos na noite de terça-feira pela representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, em palestra no Conselho de Exportadores da Presidência. Ela se referia ao fato de Brasil e Índia terem conseguido fazer parte das decisões sobre o futuro da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, portanto, agora precisariam ter atitudes responsáveis. "Esses países estão agora na mesa principal e estão descobrindo que, com isso, vêm responsabilidades e obrigações. E também que, às vezes, é difícil estar na mesa principal em uma sala pequena onde também se espera de um país que contribua e não apenas peça", disse. Para ela, isso seria equivalente "aos anos mais avançados da adolescência, quando há responsabilidades que são dadas quando se tira uma carteira de motorista". Schwab se refere à resistência dos países emergentes em abrir seus mercados para produtos industriais dos países ricos, ao mesmo tempo em que insistem na abertura dos mercados agrícolas dos ricos. Alegam que a Rodada Doha foi lançada com o objetivo de corrigir as distorções no setor agrícola.Mas, para Washington e Bruxelas, um acordo de redução de subsídios agrícolas ou cortes de barreiras somente poderá ser fechado quando os países emergentes aceitarem "pagar" com a abertura de seus mercados para bens industriais. Ontem, em Genebra, americanos, europeus e japoneses apresentaram à OMC um documento pedindo que as exigências feitas aos países emergentes - de cortes de tarifas de mais de 66% - sejam mantidas e os próximos rascunhos de acordo não sejam flexibilizados. Brasil, Índia e Argentina aceitam corte de máximo de 50% de suas tarifas de importação. HILLARYO comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, criticou ontem os comentários de Hillary Clinton sobre Doha. Para ele, as declarações foram "fora de lugar" e poderia significar um atraso ainda maior nas negociações. "O pessimismo da sra. Clinton sobre Doha e a sugestão sobre a necessidade de proteger companhias americanas de investimentos estrangeiros são lamentáveis sinais dos tempos."

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