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Suspeita de vazamento cerca oferta de ações da Bovespa

Bolsa e bancos coordenadores negam notícias divulgadas sobre operação

Ana Paula Ragazzi, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2007 | 00h00

Mesmo com o vazamento de informações na imprensa, durante o período de silêncio determinado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sobre a oferta pública de ações da Bovespa (IPO, na sigla em inglês), a colocação pública de papéis segue normalmente. Mas se a CVM optar por suspender a oferta por um curto prazo, solicitando a divulgação das informações para todo o mercado, o IPO da Bolsa deverá ficar para o ano que vem, uma vez que o terceiro trimestre já encerrou e a empresa teria de reapresentar toda a documentação, com os novos valores referentes ao exercício. Foram veiculadas na imprensa, durante o período de silêncio, informações sobre o apetite dos investidores e riscos da operação atribuídas, inicialmente, a um dos coordenadores da oferta, o Goldman Sachs.Na quarta-feira da semana passada, o blog do colunista da Veja Lauro Jardim informou que a oferta poderia chegar a quase US$ 5,5 bilhões. A nota dizia que "só o Goldman Sachs, um dos bancos coordenadores do processo, garante que já tem quase US$ 3 bilhões em reservas, para uma operação que fecha apenas daqui a uma semana". No dia seguinte, 18 de outubro, a redação do texto foi alterada para: "Segundo informações de mercado, só o Goldman Sachs, um dos bancos coordenadores do processo, já teria quase US$ 3 bilhões em reservas, para uma operação que fecha apenas daqui a uma semana". No fim de semana, nova alteração foi feita, com a retirada da expressão "segundo informações do mercado".Para o professor do Ibmec São Paulo Ricardo Almeida, trata-se de um caso que pode ser interpretado como violação da Instrução nº 400 da CVM, que disciplina o período de silêncio. Ela determina que é "dever do emissor, do ofertante, das instituições intermediárias e das demais pessoas que estejam participando da oferta de abster-se de se manifestar na mídia sobre a oferta ou o ofertante até a publicação do anúncio de encerramento da distribuição". Segundo o professor, o vazamento direciona expectativas em relação à oferta e dissipa dúvidas sobre a demanda pelo papel e sua liquidez após o lançamento. "Da forma como a informação foi divulgada, acredito que pouquíssimas pessoas tomaram conhecimento dela", comentou. "Pelo menos no curto prazo, com esse dado, os investidores ficam estimulados a entrar na oferta, com uma perspectiva, inclusive, de alta forte na estréia das ações." E acrescenta: "Na minha opinião, a CVM deveria tomar alguma medida".Procurada pela Agência Estado, a CVM não concedeu entrevista. A Bovespa e o Goldman Sachs argumentaram o próprio período de silêncio para não se manifestarem sobre a questão. Contudo, embora sem se referir especificamente a qualquer notícia em especial, a Bolsa e os bancos coordenadores publicaram nos jornais ontem um anúncio de esclarecimento em que afirmam que "as notícias sobre a oferta pública recentemente divulgadas pela imprensa, relativas ao valor das ordens recebidas, não foram provenientes dos coordenadores nem da Bovespa holding". O comunicado afirma, ainda, que "as notícias são inverídicas e não refletem a posição real das ordens no dia em que foram divulgadas". OUTROS ELEMENTOSOutros elementos alimentam a polêmica e a dúvida dos especialistas. No dia 3 de outubro, o megainvestidor Naji Nahas deu entrada na Justiça a uma ação de perdas e danos morais e materiais contra a Bovespa e a BM&F, que também fará oferta. A indenização calculada por Nahas chega a R$ 10 bilhões. Na mesma data, o diretor da Bovespa, João Batista Fraga, deu declarações com expectativas favoráveis para o Bovespa Mais, o mercado de acesso planejado pela Bolsa paulista, uma das prioridades daqui por diante.

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