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Suspeito preso na Operação Pirita mora em mansão

Uma mansão espaçosa, com piscina, churrasqueira e decorada com artigos de luxo, localizada no Morumbi, zona sul de São Paulo, era a moradia de um dos suspeitos de chefiar a quadrilha que aplicava golpes em investidores europeus, asiáticos e australianos. A Polícia Federal (PF), sem revelar a identidade do proprietário, encontrou no local altas quantias em dólares, reais, euros e dólares canadenses. Segundo a PF, a residência foi comprada com o dinheiro da fraude.A ação fez parte da operação batizada como Pirita, que, além desse suspeito, prendeu mais 16 acusados - dois nos Estados Unidos e 14 em São Paulo. Do total, seis deles atuavam na captação do dinheiro arrecadado do bando no Brasil. Nas 35 ordens de busca e apreensão expedidas pela juíza Sílvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo, no Rio Grande do Sul e nos EUA, foram apreendidos 17 carros de luxo - entre BMW, Mercedes e Audi -, 17 armas e dezenas de computadores e mídias eletrônicas."O que mais chamou atenção durante as investigações foi o menosprezo deles (da quadrilha) em relação às vitimas. Eles gastavam dinheiro como se fosse água", declarou a delegada da PF e coordenadora das investigações, Karina Mirakami Souza. A quadrilha, com base em São Paulo - recentemente transferida para Buenos Aires e com uma filial no Estado brasileiro -, usava operadores de telemarketing bilíngües para conquistar investidores de diversos países a venderem as ações de baixo valor a preços irrecusáveis.Porém, para garantir o negócio, os investidores eram convencidos a depositar antecipadamente o valor referente às taxas de corretagem e impostos em contas nos Estados Unidos, com a promessa da restituição do dinheiro, o que não acontecia. Com toda essa arquitetura, a PF estima que a quadrilha tenha causado um prejuízo de US$ 50 milhões. Para lavar o dinheiro aqui no Brasil, os integrantes investiam em construções e aquisições de imóveis.PFA PF não informou o número de investidores prejudicados e nem a porcentagem oferecida pela quadrilha para praticar os golpes. "Não podemos revelar a nacionalidade dos integrantes, pois há mandatos em aberto ainda", alegou Karina. Os suspeitos são acusados de estelionato, evasão de divisas e operação de instituição financeira sem a competente autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal e, somadas, as penas podem chegar a 33 anos de reclusão.

AMANDA VALERI, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2008 | 21h04

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