Suspeitos de fraudar taxas de juros em diversos países são investigados

Exame inclui mais de 12 traders de pelo menos 9 bancos, que, supostamente trabalham juntos em pequenos grupos para alterarem taxas de juros em diferentes continentes

Álvaro Campos e Andréia Lago, da Agência Estado,

24 de julho de 2012 | 17h25

NOVA YORK - Diversos grupos de traders estão sob investigação das autoridades reguladoras no mundo inteiro por supostamente se unirem para fraudarem taxas de juros, informam fontes próximas à investigação ouvidas pelo Wall Street Journal.

O minucioso exame criminal e cível inclui mais de uma dúzia de traders de pelo menos nove bancos, na maior parte dos casos por supostamente trabalharem juntos em pequenos grupos para alterarem diferentes taxas de juros em continentes separados, segundo fontes.

Os detalhes sobre os traders investigados sugerem aos investigadores uma ampla conspiração que se prolongou por vários anos e se espalhou em cascata mundo afora. Como resultado, os bancos onde esses traders trabalharam estão sob crescente pressão para explicar o que sabiam sobre os supostos esquemas para fraudar as taxas de juros.

A maior parte dos grupos de traders sob escrutínio não está envolvida no esquema de manipulação da taxa de crédito interbancário de Londres (Libor) durante a crise financeira iniciada em 2008, no qual o principal acusado é o banco Barclays. Nesse novo escândalo, de 2005 a 2011 traders teriam manipulado a Libor e outras taxas de juros importantes. Segundo pessoas com conhecimento das investigações, a prática se espalhou quando traders saíram de um banco para ir trabalhar em outro.

Nenhuma acusação criminal foi protocolada ainda contra esses traders ou seus chefes, mas especialistas dizem acreditar que um crescente número de evidências, como e-mails e mensagens de texto, torna pelos menos alguns dos suspeitos vulneráveis a acusações desse tipo.

Segundo as fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, as autoridades que investigam o esquema estão sendo auxiliadas pelo Barclays e o banco suíço UBS, onde trabalhavam os líderes desses dois grupos suspeitos. Um desses líderes seria Thomas Hayes, que trabalhou no UBS de 2006 a 2009 e depois se mudou para o Citigroup. Ele foi demitido em 2010, e não foi encontrado para comentar o assunto.

Hayes teria combinado com outros traders para reduzir ou elevar os dados enviados pelos bancos para a formação diária da taxa Libor em ienes. Entre seus comparsas estariam Guillaume Adolphe, do Deutsche Bank; Brent Davies e Will Hall, do RBS; Paul Glands e Stewart Wiley, do JPMorgan; e Peter O'Leary, do HSBC. Nenhum deles trabalha mais nessas instituições.

Separadamente, os investigadores estão analisando se o ex-trader do Barclays Philippe Moryoussef se reuniu com traders do Crédit Agricole, HSBC, Deutsche Bank e Société Générale para tentar manipular a taxa de crédito interbancário da zona do euro (Euribor), segundo fontes. As informações são da Dow Jones.

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