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Sustentabilidade do crescimento econômico chinês é questionada por economistas

PIB chinês cresceu 7,8% entre julho e setembro, em comparação com mesmo período do ano passado

Lucas Hirata, Agência Estado

18 de outubro de 2013 | 17h28

SÃO PAULO - A atividade econômica da China teve uma forte expansão no terceiro trimestre deste ano, mas economistas ainda temem que o ritmo do crescimento não consiga ser sustentado no futuro. Apesar da expansão do PIB, outros dados referentes a setembro são apontados como indícios de que uma leve desaceleração está em andamento na economia chinesa.

O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 7,8% entre julho e setembro, em comparação com mesmo período do ano passado. O resultado ficou em linha com as estimativas do mercado, mas representou uma aceleração frente ao crescimento de 7,5% registrado entre abril e junho, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. No entanto, o crescimento da produção industrial, das vendas no varejo e da atividade do setor de construção perdeu força em setembro.

"Os dados mensais de setembro não foram tão fortes e o Escritório Nacional de Estatísticas admitiu que houve uma certa desaceleração no mês. Certamente a nossa visão é de que essa moderação continuará no quarto trimestre", resultando em uma nova desaceleração do PIB, disse o economista Steve Barrow, do Standard Bank.

Para Song Yu, do Goldman Sachs, a perda de ritmo na atividade econômica poderá ser evidenciada nos dados do trimestre a ser encerrado em dezembro, quando a China deverá crescer 7,6%. "A economia chinesa havia mostrado uma forte recuperação em julho e agosto, mas o ritmo vem caindo desde setembro e estimamos que a taxa de crescimento um pouco mais lenta em setembro se estenderá para o quarto trimestre. A produção industrial provavelmente vai manter o crescimento saudável no quarto trimestre e continuará apoiando a economia", acrescentou.

Os analistas do Danske Bank também acreditam em uma perda de ritmo no futuro próximo, mas, segundo suas estimativas, a desaceleração ficará clara apenas no primeiro trimestre do ano que vem, quando o crescimento chinês deve chegar ao pico. "Esperamos que a expansão comece a desacelerar no início do próximo ano, quando o impacto dos 'mini estímulos' do governo passará a se atenuar. Se o crescimento não perder força no próximo ano, em comparação com o ritmo atual, o governo chinês poderá ser forçado a apertar a política monetária."

Benefícios

Por outro lado, a possível desaceleração não é vista de maneira negativa entre alguns economistas. A Capital Economics, por exemplo, acredita que isso pode trazer benefícios para a China. "O acontecimento mais interessante foi a desaceleração do investimento em infraestrutura em setembro em meio a sinais mais amplos de que a dinâmica da recuperação econômica já está se enfraquecendo. A perda de ritmo no crescimento durante o quarto trimestre provavelmente despertará temores de um pouso forçado, mas nós saudamos isso. Uma alta prolongada nos investimentos alimentada pelo crédito é a última coisa que a China precisa agora."

O premiê chinês, Li Keqiang, começou seu mandato em março deste ano afirmando que está disposto a tolerar um crescimento mais lento com o objetivo de orientar a economia para um caminho mais sustentável. Isso significa uma expansão menos dependente de investimentos liderados pelo Estado. No entanto, Pequim aparentemente atingiu seu nível máximo de tolerância no início de julho, quando Li prometeu que não deixaria o crescimento ficar abaixo de um nível mínimo - que não foi detalhado.

No mesmo mês, o governo começou a ampliar os gastos previstos com ferrovias e outros projetos de infraestrutura. O impacto começou a ser sentido no terceiro trimestre, quando o investimento em ferrovias e rodovias aumentou 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Mesmo antes deste programa de "mini estímulos" começar, as autoridades já haviam permitido uma explosão do crédito. Nos primeiros cinco meses do ano, o financiamento social total, que inclui empréstimos fora dos canais bancários tradicionais, subiu 52% em relação ao ano anterior. O crescimento do crédito desacelerou fortemente em seguida, durante dois meses, antes de se recuperar um pouco em agosto e setembro.

Muitos analistas estão agora rastreando o financiamento social total mais de perto do que qualquer outro indicador para obter uma leitura sobre as perspectivas econômicas, mas a oscilação recente sugere que a direção futura é incerta.

Partido Comunista

Um evento que pode ajudar a fornecer clareza é a reunião do Partido Comunista no próximo mês. Encontros como este só acontecem a cada cinco anos e, em 1978 e 1993, desencadearam ondas históricas de liberalização econômica. No entanto, a única reunião em 2003 sinalizou uma agenda de teor mais estadista sob a liderança de Hu Jintao.

A esperança é que no encontro deste ano o governo central da China se comprometa com reformas que permitirão uma alocação mais eficiente de recursos, baseada no mercado de capitais. A lista de vontades para os reformadores é longa, incluindo a liberalização das taxas de juros e a redução de privilégios para as empresas estatais.

No entanto, as incertezas podem persistir mesmo após o encontro do partido. Mesmo que a China sinalize fortes intenções de reforma no próximo mês, a implementação pode ser hesitante e gradual. (Com informações da Dow Jones)

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