Sustentabilidade dos mercados deve partir do governo, diz CVM

Para a presidente da Comissão de Valores Mobiliários, as obrigações para as empresas nesse campo não devem vir do regulador, que não tem o tema em sua agenda de curto prazo

Mariana Durão, da Agência Estado,

18 de junho de 2012 | 14h01

RIO - O avanço da agenda de sustentabilidade no mercado de capitais e companhias abertas depende mais, em um primeiro estágio, de políticas de governo do que da atuação de reguladores ou das bolsas de valores, avalia a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. As obrigações para as empresas nesse campo não deverão vir do regulador que não tem o tema em sua agenda de curto prazo.

"Não é muito realista colocar toda a pressão sobre os reguladores de mercado porque eles cuidam de "disclosure" ou nas bolsas porque têm como fomentar essas práticas. Acho que isso pode tomar um tempo de que a gente não dispõe, porque é difícil enxergar isso como uma prioridade absoluta na agenda do regulador de mercado", disse durante o Diálogo Global de Bolsas Sustentáveis, evento da agenda da Rio+20.

A aprovação de leis que obriguem as corporações a reportarem questões de sustentabilidade, tendo como justificativa o interesse público, deve ser o primeiro passo na visão de Maria Helena. A partir daí, diz, será legítimo passar aos reguladores do mercado que o assunto deve entrar em sua pauta.

Segundo a presidente da CVM, a crise financeira global de 2008 trouxe uma agenda mais urgente e pesada para os reguladores no mundo todo ao apontar deficiências a serem corrigidas e atividades e produtos que estavam "fora de seu cardápio" de normas. Esse cenário dificultou ainda mais a elevação do tema sustentabilidade na lista de prioridades dos reguladores, acredita ela.

Maria Helena foi taxativa ao afirmar o papel do investidor para o desenvolvimento da transparência de informações sócio-ambientais prestadas pelas companhias. Em sua análise o investidor, a quem a CVM e demais reguladores devem proteger, ainda não consideram essa informação relevante.

Mesmo os investidores qualificados e de longo prazo ainda têm dificuldade de explicar como utilizam os indicadores do ESG (Enviromental, Social and Governance, na sigla em inglês) ao avaliar os papéis de uma empresa. "Muitos investidores não discriminam empresas não sustentáveis das sustentáveis, infelizmente", disse.

O presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, afirmou que as bolsas de valores têm um papel indutor importante nesse tema e devem dar o exemplo às companhias listadas em seus ambientes de negociação. Edemir acredita que o investidor brasileiro vem mostrando interesse pelo tema. "Já no caso do engajamento das empresas há um gap entre o discurso e a práticas", afirmou.

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