Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Com nova fábrica de R$ 14,7 bi, Suzano ampliará produção de celulose em 20%

Nova unidade, que deverá começar a funcionar em 2024 no município de Ribas do Rio Pardo (MS), terá também estrutura para produção de energia; companhia anunciou que fará investimento com geração de caixa, sem tomada de financiamentos

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2021 | 18h16
Atualizado 13 de maio de 2021 | 11h48

A gigante de papel e celulose Suzano anunciou nesta quarta-feira, 12, a construção de uma nova fábrica com capacidade para produzir 2,3 milhões de toneladas de celulose de eucalipto por ano. A unidade ficará no município de Ribas do Rio Pardo (MS), a 100 quilômetros de Campo Grande, e deve iniciar produção até o fim do primeiro trimestre de 2024. O projeto prevê o investimento industrial de R$ 14,7 bilhões.

A iniciativa foi batizada de “Projeto Cerrado”, em referência à sua localização geográfica em Mato Grosso do Sul, e amplia em aproximadamente 20% a atual capacidade de produção de celulose da Suzano, de 10,9 milhões de toneladas, informou a companhia. A nova fábrica deverá agregar novas tecnologias ao processo produtivo da empresa, informou a Suzano.

De acordo com o presidente da Suzano, Walter Schalka, o novo projeto sul-matogrossense terá o menor custo global de produção para a companhia de celulose. “Provavelmente, será o menor custo do setor globalmente”, disse Schalka, em entrevista ao Estadão, na noite desta quarta-feira.

O projeto, que deverá ficar pronto em três anos, vai ser desenvolvido sem a tomada de financiamentos específicos para sua construção. A Suzano, que ganhou musculatura após incorporar a rival Fibria, diz que, por seu porte, será capaz de investir R$ 14,7 bilhões contando só com o caixa atual e a geração de caixa futura. 

O projeto também incluirá preocupações ambientais. A energia da nova unidade será produzida também a partir das árvores usadas para a produção de celulose. A lignina vai produzir energia necessária para o funcionamento da fábrica e para gerar um excedente de 180 MW (megawatts) para vender no mercado de energia.

Outra vantagem, de acordo com Schalka, será a proximidade entre a planta industrial e as florestas – o raio médio será de cerca de 60 km. A empresa ainda está realizando a compra de áreas para complementar a matéria-prima necessária, embora já tenha madeira comprada para o primeiro ciclo de produção, em 2024.

'Herança'

O projeto de Ribas do Rio Pardo foi herdado da Fibria, negócio que foi incorporado pela Suzano em 2018 em um acordo de R$ 65 bilhões. A companhia já detinha uma unidade em Três Lagoas e o projeto agora tocado pela Suzano vem para complementar o potencial de produção de celulose em Mato Groso do Sul.

A cidade, de apenas 20 mil habitantes, deverá também ganhar um impulso econômico com a chegada da fábrica da Suzano. Além do movimento gerado durante o período de construção, o projeto, quando estiver em operação plena, deverá gerar 3 mil empregos, incluindo fábrica e floresta.

O aumento do preço da celulose, aliado à queda do real perante o dólar, foi um dos fatores que ajudaram a reduzir o endividamento da Suzano nos últimos tempos. A companhia tinha uma alavancagem – medida pela dívida versus a geração de caixa – de 4,9 vezes em 2019; agora, essa comparação está em 3,8 vezes. Schalka disse que essa redução foi fundamental para "destravar" a nova linha de produção.

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