Ricardo Telles/Divulgação
Ricardo Telles/Divulgação

Suzano usará 1º eucalipto transgênico do mundo

Com aprovação da CTNBio, empresa fica livre para usar em escala comercial variedade que aumenta produtividade de florestas em 20%

MARCELLE GUTIERREZ, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2015 | 02h05

A Suzano, vice-líder no mercado brasileiro de celulose, obteve ontem aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para tocar um projeto que poderá aumentar a produtividade de suas florestas em até 20%. Por meio de sua controlada FuturaGene Brasil, a Suzano será a primeira empresa global a usar uma variedade de eucalipto transgênico em escala comercial.

Segundo explicou o presidente da Suzano, Walter Schalka, em entrevista ao Estado no fim de janeiro, o projeto permite que a empresa ganhe produtividade de duas formas: com o corte precoce das árvores (cujo tempo de "maturação" cairia de sete anos para cinco anos e meio) ou com um aproveitamento melhor da celulose, caso a companhia opte para esperar o fim do ciclo de sete anos. Isso garantiria que a empresa pudesse abastecer uma fábrica "madura" usando uma área plantada menor - reduzido, assim, custos fixos com compra de terras.

Atualmente, a capacidade de produção da Suzano é de 4,7 milhões de toneladas de papel e celulose.

A empresa não tem projetos de novas fábricas em andamento, pois se encontra em um processo de redução de custos. Atualmente, o principal desafio é "digerir" os US$ 3 bilhões investidos na unidade de Imperatriz (MA), inaugurada no fim de 2013, e reduzir o endividamento total do negócio.

Em nota divulgada ontem, a empresa informou que a aprovação do eucalipto transgênico seria um passo importante no esforço de aumentar sua produtividade. "(A aprovação é) o marco mais significativo para a indústria florestal desde a adoção da tecnologia clonal, no início da década de 1990", afirmou a companhia, em comunicado.

A empresa ressaltou que o ganho de produtividade trazido pela nova variedade também traz benefícios no campo da sustentabilidade, pois reduz o consumo de insumos e pode liberar terras para outras finalidades. A variedade agora aprovada pelo CTNBio foi batizada H421.

As ações da Suzano responderam bem ao anúncio da aprovação do uso da variedade mais produtiva de eucalipto. Os papéis da companhia encerraram o pregão da BM&FBovespa de ontem em alta de mais de 2,61%, cotadas a R$ 14,52. No dia, o índice Ibovespa, que reúne as principais ações da bolsa paulista, avançou 0,26%.

Na avaliação do mercado, a alta do dólar, que virou e passou a subir no fim do pregão, também impulsionou os papéis das companhias do setor. A principal rival da Suzano, a Fibria, viu suas ações subirem 4,18%, para R$ 45,11. O câmbio valorizado ajuda as duas empresas, que arrecadam a maior parte de suas receitas no mercado internacional.

Contestação. A própria CTNBio ressaltou, no entanto, que a aprovação ainda pode ser contestada em recursos ao órgão.

No dia 5 de março, a área de pesquisa da FuturaGene, em Itapetininga (SP), foi invadida pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), contrário à liberação da variedade por temer danos ao meio ambiente. Os integrantes do movimento destruíram mudas de eucalipto. No mesmo dia, o MST também invadiu a reunião da CTNBio, em Brasília, que discutiria o uso da nova variedade. A reunião, então, foi transferida para abril.

Em audiência pública sobre o tema, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) também se mostrou contrária à liberação, afirmando que a introdução do eucalipto geneticamente modificado praticamente exterminaria áreas de certificação de mel orgânico, levando a perdas nas exportações de mel e própolis. (Com Reuters)

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