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Swatch vai deixar de fornecer a rivais

Empresa quer reservar componentes para marcas próprias de relógios, como a Tissot

RAPHAEL MINDER , THE NEW YORK TIMES , GENEBRA, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h09

O Swatch Group pode ser mais conhecido por seus relógios de plástico e esportivos. Mas ele também fabrica componentes mecânicos e outros para relógios que vende a fabricantes de relógios rivais.

A partir de 1.º de janeiro, porém, a companhia começará a reduzir e, possivelmente, até encerrar suas vendas de mecanismos internos para competidores, para se concentrar na produção de relógios com margens de lucro mais altas e assegurar que tenha suprimentos à mão para suas próprias marcas, que incluem Longines, Omega, Tissot e Breguet.

A medida da Swatch, que foi aprovada pela autoridade de competição da Suíça, está sendo questionada nos tribunais por nove empresas de relógios, muitas delas pequenas e sem recursos financeiros para produzir seus próprios mecanismos.

As empresas que reclamam na Justiça preveem que várias companhias desaparecerão por terem poucas opções para as partes, que devem vir da Suíça para manter o lucrativo selo "Swiss made". Elas argumentam também que, se a Swatch prosseguir com a retirada, o resultado poderia ser tão prejudicial à indústria relojoeira suíça quanto a chegada de relógios digitais japoneses, que quase provocou o colapso do setor nos anos 70.

Ressentimento. A disputa está atiçando o ressentimento com a influência e o porte da Swatch num setor que vem mostrando uma força excepcional, na medida em que a demanda de asiáticos que querem exibir sua riqueza e bom gosto dribla a recessão econômica mundial e o franco forte.

"Muitas companhias deixarão de existir enquanto a Swatch, a operadora monopolista, simplesmente ficará mais forte", disse Peter Stas, o coproprietário holandês da Frederique Constant, uma fabricante de relógios independente de Genebra que é uma das reclamantes.

Stas reconheceu que teria sido quase impossível de sua parte começar na fabricação de relógios 23 anos atrás sem o acesso à plataforma de produção da Swatch.

A Swatch, que espera uma definição final sobre a interrupção no fornecimento de componentes até o fim de 2012, insiste em que seu objetivo não é estrangular concorrentes. E argumenta que sua retirada fará as rivais aumentarem seus gastos de fabricação, fortalecendo com isso a qualidade e a competitividade do setor de relógios suíços em geral.

"Em nenhum outro setor encontra-se alguma companhia fornecendo todas as partes críticas a pessoas que competem diretamente com ela", disse Nick Hayek, presidente da Swatch, em entrevista este ano. A Swatch comunicou que não tinha novos comentários sobre a questão.

Olivier Muller, consultor independente do setor relojoeiro que também comanda a Laurent Ferrier, de relógios especiais, acredita que os argumentos da empresa vão prevalecer. "A Swatch pode cortar o fornecimento a rivais. Esta é uma decisão legítima em um mercado livre", disse Muller, que foi executivo da companhia até 2001.

A Swatch, acrescentou, estabeleceu "um quase monopólio não por alguma ambição de controlar o mercado", mas porque "todos os demais estavam perfeitamente felizes de gastar tudo em marketing em vez de investir em sua própria linha de produção." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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