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T. Boone Pickens, o empresário do tamanho do Texas, desiste

Décadas depois de seu auge como um magnata self-made do petróleo e especulador corporativo, ele ainda esperava lucrar muito, como o fizera há 60 anos como jovem prospector independente

David Gelles, The New York Times

22 de janeiro de 2018 | 17h45

No final do ano passado, T. Boone Pickens estava de volta, perfurando petróleo.

Em sua fazenda de 65 mil hectares, num enclave cheio de flores silvestres e colinas no Texas, Pickens, de 89 anos, ergueu uma plataforma de US$ 6 milhões e começou a bombear fluido de fracking na terra.

Décadas depois de seu auge como um magnata self-made do petróleo e especulador corporativo da velha escola, sua fortuna e seu perfil público encolheram, e Pickens ainda esperava lucrar muito, como o fizera há 60 anos como jovem prospector independente em Amarillo.

O poço começou a produzir, mas Pickens - que há menos de dois anos insistira em afirmar, “não vou me aposentar” - não ficou por perto para ver o resultado. Pouco depois de começar a perfuração, colocou o Rancho Mesa Vista à venda. O preço de venda: uma fortuna de US$ 250 milhões.

Então, em 12 de janeiro, Pickens fez o impensável: ele efetivamente anunciou sua aposentadoria, fechando o BP Capital, seu fundo de hedge. Embora Pickens, um famoso aficionado de fitness que chegou a desafiar o presidente Barack Obama para uma competição de exercícios, ainda esteja envolvido com seus negócios, sua aposentadoria acaba com uma carreira que se constituiu numa grande empreitada, única nos Estados Unidos.

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“Tudo é grande no Texas e T. Boone é a personificação disso”, disse Amy Myers Jaffe, membro sênior para energia e meio ambiente no Conselho de Relações Exteriores. "Ele aposta alto. Tem grandes ideias. E deixa números significativos atrás dele”.

Com uma personalidade inflada e táticas agressivas de negócios que o colocaram na capa da revista Time, Pickens tornou-se um dos poucos empresários da década de 1980 reconhecido em grandes segmentos dos Estados Unidos. Sua influência ainda é bastante presente. Pickens foi um precoce defensor dos direitos de acionistas e insistiu em que os executivos fossem remunerados com ações.

Essa linha de pensamento trouxe informação a uma nova geração de acionistas ativistas e continua um evangelho em Wall Street. “Espero que as pessoas pensem em mim como um visionário que reconheceu que era importante mostrar coisas novas periodicamente”, disse Pickens em e-mail, enviado por um um assistente. “A previsibilidade leva ao fracasso”.

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Pickens experimentou tanto grande sucesso quanto esmagador fracasso durante sua carreira. Fez fortuna buscando petróleo em terreno não comprovado nos anos 1950 e 1960, depois se reinventou como especulador corporativo nos anos 1970 e 1980. Ele previu de forma errônea o “Peak Oil” - a ideia de que o índice máximo de extração seria alcançado até a década de 1960 - e perdeu milhões com uma aposta precipitada em energia eólica.

Importante doador do Partido Republicano, Pickens apoiou o Swift Boat Veterans for Truth, que apresentou falsas alegações contra John Kerry durante a campanha presidencial de 2004. Ao longo dos anos, teve cinco esposas, tornou-se um importante filantropo e viu o estádio de futebol da Universidade Estadual de Oklahoma, onde estudou, receber seu nome depois de uma doação de centenas de milhões de dólares para a escola.

Mesmo nos últimos anos, jamais parou de procurar por outra grande oportunidade. Comprou quase 400 mil hectares de direitos sobre a água no Panhandle texano, na esperança de vender essa água para Dallas e Fort Worth. E no ano passado começou a perfurar em seu próprio rancho.

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No entanto, o impacto mais duradouro de Pickens sobre as empresas não tem nada a ver com o petróleo. Como um especulador corporativo nos anos 1980, Pickens - juntamente com homens como Carl C. Icahn e Michael Milken - ajudou a desenvolver um astucioso e didático livro de estratégias para ganhar dinheiro. Ele assumiria uma pequena participação em uma empresa pública, convidando-a a reduzir as despesas e a devolver dinheiro aos investidores, e muitas vezes pressionar a empresa a vender a si mesma. Ele era Gordon Gekko antes de Wall Street, Poder e Cobiça, e sua influência foi profunda.

Essa filosofia agora molda as decisões de investimentos de grandes investidores institucionais e acionistas militantes. Dependendo da pessoa à qual você faça a pergunta, ele é o responsável pela criação de uma enorme riqueza para muitas pessoas, ou por uma perspectiva imprudente de curto prazo que está ampliando a desigualdade de renda e destruindo empregos. Em ambos os casos, isso aconteceu, pelo menos em parte, por causa de T. Boone Pickens.

“Hoje em dia se vê na América corporativa muitas das coisas que ele adotou há 30 anos”, disse David Bradshaw, banqueiro de investimentos da Moelis and Company, que é ligado a Pickens. “Ele estava à frente de seu tempo”. /Tradução de Claudia Bozzo

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