Tabaré critica Mercosul e pede justiça para pequenos

O presidente do Uruguai, Tabaré Vazquez, fez nesta sexta-feira um duro discurso de crítica ao Mercosul, contrastando com as intervenções comemorativas realizadas antes pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e da Argentina, Nestor Kirchner. "O Uruguai pede justiça no tratamento no processo de integração", disse. Vasquez citou o Brasil nas suas críticas, ao dizer que o seu país exportou US$ 5 milhões em autopeças para cá no ano passado, enquanto recebeu o equivalente a US$ 150 milhões em autopeças brasileiras. Referindo-se nominalmente ao presidente Lula e seu discurso de abertura da Cúpula do Mercosul, o presidente uruguaio disse que é verdade que há êxito no bloco, "mas para alguns países menores como o Uruguai o intercâmbio comercial no Mercosul é muito deficitário". E acrescentou: "nossa realidade (do bloco) deve ser contemplada por uma flexibilização que o Uruguai pleiteou em outubro de 2006, em que fizemos um diagnóstico sério dessa situação."Vasquez citou como exemplo da situação difícil dos pequenos no bloco uma garrafa de água mineral do Uruguai que está sendo consumida na Cúpula. Segundo ele, o Puma que é a marca do produto foi extinto pela civilização em seu país e pode ser um símbolo do que acontecerá com os países pequenos no Mercosul. "Temos medo que os nomes dos pequenos países sejam apenas um nome impresso numa etiqueta nessas reuniões de cúpula."Uruguai e Argentina estão travando uma briga tarifária dentro do Mercosul, que acabou trazendo tensão à Cúpula do Rio. Os presidentes dos dois países não fizeram referência diretamente ao problema em seus discursos.

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