Tabelamento do frete pode elevar inflação de alimentos, diz Ipea

Tabelamento do frete pode elevar inflação de alimentos, diz Ipea

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) pode revisar para cima previsão de inflação sobre alimentos, dependendo dos impactos do tabelamento de preços do frete

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2018 | 16h16

RIO- O tabelamento do frete, principal medida negociada pelo governo para encerrar a paralisação dos caminhoneiros, pode aumentar a pressão sobre a inflação ao consumidor este ano. O impacto será especialmente sentido no setor alimentício. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulga nesta quarta-feira, 18, uma nova edição da Carta de Conjuntura.

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Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 1,26%, a maior taxa para o mês desde 1995. Os preços do grupo Alimentação e bebidas aumentaram 2,03%, o que resultou numa contribuição de 0,50 ponto porcentual para a inflação do mês.

O Ipea espera que os alimentos encerrem o ano 3,93% mais caros, o equivalente a uma contribuição de 0,62 ponto porcentual para o IPCA do ano de 2018, estimado pelo instituto em 4,20%.

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É possível que essa previsão seja revista para cima, dependendo do impacto que o tabelamento do frete terá sobre os custos dos produtores. O encarecimento do transporte pode causar uma pressão maior sobre os preços dos alimentos e, consequentemente, sobre a inflação do ano, avaliou José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea. "Mas ainda não é possível prever a dimensão desse efeito", disse Souza Júnior.

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A medida provisória que permite o estabelecimento de preços mínimos para os fretes rodoviários foi aprovada por deputados e senadores na última quarta-feira, 11. Os valores serão divulgados com base em regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), levando em consideração custos com o óleo diesel e pedágios. Depois de editada, a medida provisória foi questionada na Justiça, principalmente pelo agronegócio e pela indústria, que criticaram o aumento dos custos do deslocamento.

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Segundo o Ipea, o repique inflacionário de junho teve influência de três efeitos da greve de caminhoneiros sobre os preços dos alimentos no País: o entrave logístico durante a paralisação; a falta de estoques do varejo e de matérias-primas na indústria; e o aumento nos custos do transporte derivado do tabelamento dos fretes.

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"Para julho, a expectativa é a de que as pressões sobre os preços derivadas dos dois primeiros elementos se diluam, restando os efeitos decorrentes do tabelamento de fretes. O início da nova safra agrícola, com a consequente necessidade de insumos, adubos e fertilizantes nas regiões produtoras, tende a intensificar esse repasse de preços no curto e médio prazo, à medida que a atual safra seja escoada pagando fretes mais altos; e no longo prazo, via menor oferta de alimentos, caso a safra 2018/2019 continue com seu plantio comprometido", ressaltou o estudo do Ipea.

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