Tablets de R$ 500 lideram no Brasil

'Segunda divisão'. Eles custam menos da metade de um iPad, mas seus fabricantes têm pouca experiência com a produção de eletrônicos; ainda assim, são estes equipamentos, com telas de 7 polegadas e sistema Android, que se disseminaram pelos lares do País

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2013 | 02h07

Há dois anos, comprar um tablet no Brasil era relativamente simples. Havia poucos modelos à disposição. O iPad dominava o imaginário do consumidor e os poucos aparelhos Android pareciam imitações inferiores. Também era preciso estar preparado para gastar pelo menos R$ 1.000.

A situação é muito diferente em 2013. Hoje, o iPad divide o primeiro escalão com modelos bem avaliados da Samsung e da Acer. O sistema Android, depois de dominar o mercado de smartphones, fez o mesmo nos tablets. Dados da consultoria IDC sobre o primeiro trimestre de 2013 mostram que 89% dos tablets vendidos no País usam a plataforma do Google.

Mas os maiores concorrentes da Apple - que inaugurou o mercado de tablets - não são os produtos topo de linha. Surgiu uma nova e congestionada faixa de aparelhos que custam ao redor de R$ 500. A maioria é de marcas com menos tradição na indústria de tecnologia.

São tablets dessas empresas, quase todos com Android e tela de sete polegadas, que tiveram uma disseminação acelerada nos lares brasileiros. Segundo a IDC, 46% dos aparelhos vendidos no Brasil no primeiro trimestre estão nessa faixa.

"As marcas famosas nunca ofereceram modelos por menos de mil reais. Nós viemos trazer o tablet para quem está usando pela primeira vez", diz Anthony Brasil, gerente de marketing da Amvox, fabricante sediada em Camaçari (BA). Há dois modelos no portfólio da companhia: Toks7 (R$ 399) e Toks9 (R$ 499).

Também há tablets de baixo custo de marcas como Microboard, Multilaser, Lennox, Dazz e SpaceBR.

Nesta "segunda divisão" quem reina é a DL, de Minas Gerais. Seus números, porém, não devem nada às empresas consagradas. "Neste ano, devemos fabricar dois milhões de unidades", diz Ricardo Malta, diretor comercial e de marketing.

A empresa, que se gaba de ter levado o tablet para a classe C, só começou a fazer os produtos em 2010. Quando começou, em 2004, como Doce Lar, fabricava panelas elétricas de arroz. Hoje, o DL significa "Digital Life".

Outro recém-chegado na área é a Tectoy, mais conhecida por seus videogames. Depois de estrear com o infantil Magic Tablet Disney, a empresa lançou três modelos "adultos", com preços de R$ 349 e R$ 549. "Decidimos apostar nesse mercado porque ele está dobrando de tamanho", diz o presidente executivo Sérgio Bastos.

Segundo a IDC, no Brasil foram vendidos 3 milhões de tablets em 2012. Neste ano, o instituto projeta que serão 6 milhões. "Provavelmente vamos rever esse número para cima", diz Pedro Hagge, analista da companhia no Brasil. "O mercado tem crescido mais rápido que o esperado".

A pesquisa também indica um salto de 164% nas vendas em um ano, em relação ao mesmo período de 2012. Em comparação, os smartphones cresceram metade disso (86%). Hagge diz que as compras do governo ajudam a elevar o número.

"É o produto do momento", diz Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). "Em 2013, ele deve representar 30% do mercado de computadores."

A Samsung, fabricante líder de tablets Android, afirma que a competição é boa para o setor. "Vai ocorrer algo semelhante ao que houve com os notebooks", diz Roberto Soboll, diretor técnico de telecom da empresa. "Inicialmente havia diversas marcas. Com o passar do tempo, se mantiveram as empresas que entregaram os produtos de melhor qualidade."

O consumidor, porém, deve ficar atento. Com tantas opções, é fácil ficar confuso. Decidir pelo preço, por mais atraente que seja, nem sempre é bom negócio. Bárbara Laranja, jornalista de Itapeva (SP), disse que ficou decepcionada com o tablet da DL que comprou. "Trava muito e o touchscreen é muito ruim", disse. Por meio do site Reclame Aqui, a empresa prometeu resolver a falha.

O autônomo Maurício de Andrade, de São Paulo, gostou do tablet CCE R71 que comprou por R$ 300, mas reclama da assistência técnica. "Preciso trocar a tela que quebrou e não consigo falar com eles." Procurada pela reportagem, a CCE se prontificou a solucionar o caso.

Carlos Eduardo Vieira, técnico que realiza testes de produtos para a associação de defesa do consumidor Proteste, recomenda que o cliente seja "mais conservador" em relação a marcas. "Existem aparelhos que não trazem nem o CNPJ da empresa na caixa."

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