TAM compra Pantanal e volta à origem com voos regionais

Maior companhia aérea do País poderá usar aviões da também brasileira Embraer

estadao.com.br,

21 de dezembro de 2009 | 15h34

A TAM, maior companhia aérea do país, anunciou nesta segunda-feira a compra da Pantanal, marca que será mantida para uma unidade de aviação regional que poderá usar aviões da Embraer.

 

Às 15h44, as ações da TAM caíam 0,9%, a R$ 35,38,, enquanto o Ibovespa, indicador de referência da Bolsa de Valores de São Paulo, subia 0,25%. Mais cedo, os papéis da aérea chegaram a subir mais de 2%. 

 

A Pantanal ficou em novembro com apenas 0,16% do tráfego de passageiros no país. O maior interesse da TAM na empresa, segundo o presidente interino da companhia, Líbano Barroso, são os direitos de pousos e decolagens da Pantanal no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.                                

 

A Pantanal possui 196 slots em Congonhas, dos quais 61 serão redistribuídos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diante de falta de regularidade nos voos.                                

 

A aquisição acontece em meio ao aumento da competição na aviação regional brasileira, com novas entrantes como a Azul.                                

 

A Pantanal está em processo de recuperação judicial e a TAM pagará 13 milhões de reais pela totalidade do capital da empresa. A transação ainda precisa de aprovação da Anac.                                

 

"Estamos incorporando uma nova linha de negócios para combinar a estratégia de termos uma companhia troncal da TAM com uma companhia como a Pantanal, que opera aviões de menos de 100 lugares", afirmou Barroso à Reuters por telefone.                                

 

Segundo o presidente da TAM, a ideia é renovar a frota da Pantanal, atualmente com três aviões ATR42 de 45 passageiros.                                

 

"Talvez faça mais sentido olharmos para aviões ATR ou Embraer", disse ele, acrescentando que uma decisão sobre o fornecedor sairá no ano que vem.                                

 

Conforme Barroso, a Pantanal explorará destinos de média densidade e será uma unidade do Grupo TAM. A Pantanal faturou cerca de 70 milhões de reais nos últimos 12 meses e tem 245 funcionários.                                

 

Volta às origens

 

A compra da Pantanal e a estratégia de lançamento de uma unidade vem também depois que a TAM --que nasceu como uma empresa aérea de voos regionais-- decidiu anos atrás se concentrar nos grandes centros do país, eliminando aviões Fokker 100 e padronizando a frota com aeronaves Airbus.

                 

A TAM encerrou novembro com participação de quase 44% do mercado nacional de aviação, ante 42,25% da principal rival Gol. A Azul, que começou a operar há um ano, obteve fatia de 4,31% no mês passado, e a WebJet de 4,56%.

      

"Agora que temos essa consolidação de nossa posição (líder), vemos como estratégico e importante focarmos nos mercados de média densidade, que são mercados que crescem com mais velocidade que os grandes centros", justificou Barroso.

 

De acordo com o presidente da TAM, a empresa vinha avaliando a compra da Pantanal há três anos. Apesar disso, ainda não possui um plano de tamanho de frota e prováveis destinos que serão inicialmente atendidos em adição às atuais rotas da empresa adquirida.

 

A Pantanal faz voos de São Paulo para Araçatuba, Bauru, Presidente Prudente, Marília, em São Paulo, e Juiz de Fora (MG) e Maringá (PR).

 

"Vamos buscar a partir desses destinos alcançar outros centros que não apenas São Paulo (...) Por exemplo, Campinas (SP) e outras cidades do Sul e do Norte do país", afirmou Barroso. A Azul escolheu o aeroporto de Viracopos, em Campinas, como eixo central de seus voos.

 

Em comunicado, a presidente do Conselho de Administração da TAM, Maria Claudia Amaro, disse que o grupo tem expectativa de "crescer de forma bastante expressiva" com a Pantanal,. Ela citou a Copa do Mundo de 2014 no país e as Olimpíadas no Rio em 2016.

 

Segundo a TAM, a Pantanal passará a compartilhar serviços, tecnologia e manutenção, além de fazer parte do programa de fidelidade Multiplus da TAM. Também vai se beneficiar da integração com a malha da TAM Linhas Aéreas.

 

"Vamos ligar Bauru a Frankfurt, só para citar uma dessas possibilidades de ampliação da cobertura geográfica", afirmou a presidente do Conselho da TAM no comunicado.

 

(com Alberto Alerigi, da Reuters)

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