TAM luta contra onda de "Fokkerfobia"

A TAM luta hoje contra uma reação dos passageiros que ameaça virar um novo jargão do setor aéreo: a "Fokkerfobia", ou o medo de viajar no Fokker 100. Em defesa do avião, a companhia argumenta que o maior problema do modelo, hoje, não é a exposição aos riscos, mas à mídia. Peça fundamental para o crescimento da empresa, o Fokker 100 enfrenta a pior crise de imagem desde a queda do vôo 402 em São Paulo, responsável pela morte de 99 pessoas em 1996. O fato é que o "mal" se propaga rapidamente entre os clientes da companhia, incluindo passageiros, empresas e operadoras de turismo. Os temores pareciam ainda maiores na última sexta-feira, dia 13. "Se o problema do avião for azar, o risco hoje é maior ainda", dizia a médica Mônica Santana, que aguardava, tensa, seu vôo para Goiânia, de Fokker 100. "Se pudesse escolher, iria em outro vôo, mas ganhei a passagem." Jean Vechi apenas acompanhava a namorada, Mônica, no aeroporto, mas garantia que, se estivesse no lugar dela, não embarcaria. "Nunca mais voei de Fokker 100, desde o acidente de 96." O analista de sistemas Eudócio Marinho se dizia "aliviado" depois que o departamento de segurança de sua empresa, a fabricante de papel e celulose Suzano Bahia Sul, decidiu não colocar mais seus funcionários a bordo dos Fokkers 100. "Continuamos voando com a TAM, mas a agência de viagens que nos atende está proibida de adquirir passagens para aquele avião", contou Marinho, que viaja semanalmente a trabalho. No meio de tanta preocupação, a aposentada Carmem Karan Gerwy, de Porto Alegre, contrariava a regra. "Não tenho o menor preocupação em viajar no Fokker 100. Acredito que problemas podem acontecer em qualquer companhia aérea", garantia. "Continuo confiando na TAM." Segurança - A resposta da TAM à situação tem sido categórica: "Não há nenhum problema com a manutenção dos aviões da TAM", garante o chefe de Segurança de Vôo da empresa, Marco Aurélio Rocha. O comandante, que ocupa uma cadeira no Comitê de Consultores de Segurança da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), explica que um avião do porte do Fokker 100 percorre mais trechos do que os usados em rotas mais longas, o que aumenta sensivelmente a freqüência de acidentes ao longo da vida útil do avião. "Temos 47 Fokkers fazendo de 10 a 12 pousos por dia cada um", conta. Rocha acredita que a percepção dos problemas nos vôos do modelo está sendo "maximizada" pelos veículos de imprensa. "O público ficaria espantado se soubesse a quantidade de acidentes aéreos que ocorre em dois meses, mas, como a maioria deles não chega a colocar em risco os passageiros, passa despercebida. Não é isso o que acontece em relação ao Fokker 100", diz. Para o professor de Ética Jornalística Carlos Alberto Di Franco, a imprensa deve adotar uma posição prudente ao tratar da imagem da empresa, mas não há dúvida de que os acidentes são notícias de interesse público. "Cabe à companhia um comportamento de grande transparência, aproveitando o espaço na mídia para explicar à população se há de fato algum problema", afirma Di Franco. "Fatos que têm sido divulgados, como o de que a fabricante do avião faliu, acabam despertando preocupação nos passageiros." A empresa informa que, após o fechamento da Fokker, o governo do país onde o avião era montado, a Holanda, e o grupo industrial Stork mantiveram a fabricação das peças dos aviões. Neste ano, segundo a empresa, estão destinados US$ 210 milhões para a manutenção de sua frota, ante os US$ 150 milhões gastos no ano passado.

Agencia Estado,

15 de setembro de 2002 | 09h32

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