Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

TAM negocia compra da regional Passaredo

Compartilhamento de voos entre as companhias começa em agosto e será o primeiro passo para a venda da aérea, que está em recuperação judicial

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2014 | 02h01

A TAM está negociando a aquisição da companhia aérea Passaredo - empresa que está em recuperação judicial desde outubro de 2012 e precisa de uma injeção de capital para se reerguer, segundo fontes próximas à negociação. As duas companhias já assinaram um acordo compartilhamento de voos no fim de maio, que passará a valer em 1º de agosto.

"O acordo é um namoro. O próximo passo é o casamento das empresas", disse uma fonte. "Ainda não há um contrato de venda assinado. Mas a intenção das empresas é fechar a venda da Passaredo à TAM."

Uma eventual compra da Passaredo pode ser uma porta de entrada para a volta da TAM ao mercado de aviação regional. A Passaredo tem sede em Ribeirão Preto e voa para cerca de 20 destinos com 9 aeronaves turboélice da francesa ATR.

Antes da Passaredo, a TAM já tentou comprar outra empresa regional. A companhia assinou uma carta de intenção de compra da Trip em 2011, mas o negócio não vingou e a Trip foi vendida à Azul no ano seguinte.

Embora tenha nascido com a aviação regional, a TAM abandonou esse mercado nos últimos anos, quando focou em voos entre grandes cidades brasileiras e operações internacionais. A companhia, no entanto, já admitiu que pode voltar às origens.

Em setembro do ano passado, a presidente da TAM, Claudia Sender, disse ao Estado que a companhia estava avaliando a formação de uma frota focada em aviação regional. Os planos já foram confirmados pelo CEO da Latam, Enrique Cueto, que comanda o grupo formado pela fusão da chilena LAN com a TAM.

A aviação regional é o foco de um programa de incentivo do governo federal. O governo pretende reformar 270 aeroportos e dar subsídios a empresas para viabilizar rotas regionais. A oferta de voos regionais também foi um dos critérios definidos pelo governo para distribuir espaços no aeroporto de Congonhas, o mais rentável do País.

Passaredo. Criada em 1995, a Passaredo é a quinta empresa do País, com 1% dos voos nacionais. A empresa é uma das poucas sobreviventes entre as pequenas companhias que operam no País - desde 2010, 11 empresas aéreas deixaram de voar.

Com dívidas estimadas em R$ 100 milhões, a empresa pediu recuperação judicial em outubro de 2012. Desde então, vem tentando se reerguer. A companhia, que chegou a voar com jatos da Embraer, reduziu sua frota para operar apenas ATRs, um avião mais econômico.

A TAM enviou comunicado sobre o acordo de interline, mas não comentou a negociação para compra da Passaredo. Os porta-vozes da Passaredo não foram localizados.

Os novos critérios de ocupação do aeroporto de Congonhas desagradaram à Avianca. O presidente da empresa, José Efromovich, disse que a regra limita o crescimento da companhia e agravará a concentração de mercado. Pela resolução publicada anteontem, a companhia pode receber novos slots (horários de pouso ou decolagem) em Congonhas, mas receberá menos espaços que a Azul.

A resolução do Conselho de Aviação Civil (Conac) determina que apenas empresas com menos de 12% de participação em Congonhas e com aviões acima de 90 assentos recebam slots. Na prática, isso habilita apenas Avianca e Azul a disputar os espaços, vetando as líderes TAM e Gol e empresas menores. Há três critérios para entrar no aeroporto: participação de mercado, oferta de voos regionais e eficiência operacional.

"Apoiamos a resolução e a ideia de abrir o aeroporto de Congonhas para qualquer competidor. Mas não concordamos com os critérios", disse Efromovich. Ele discorda que a participação de mercado da companhia e a oferta de voos regionais sejam consideradas na hora de decidir quais companhias aéreas vão ganhar espaços em Congonhas.

A Avianca é dona de 7,17% do mercado de voos nacionais e tem 7,26% dos slots em Congonhas. Já a Azul tem 21,36% de mercado e nem 1% dos voos que saem de Congonhas - ela opera apenas uma rota por semana, para o Rio. A Azul, no entanto, é líder em voos regionais e atende cerca de 100 cidades do País, enquanto a Avianca voa para 22 cidades, a maioria capitais.

A Azul deve crescer com a entrada em Congonhas e poderá encomendar novas aeronaves, segundo o diretor de comunicação da empresa, Gianfranco Beting. "Dependendo do número de slots que vamos receber, vamos comprar mais aviões", disse Beting.

Segundo ele, a companhia vai utilizar os aviões da Embraer na operação em Congonhas. Beting disse que a empresa aguarda a definição de quantidade e horários de slots que receberá para decidir para quais destinos voará de Congonhas. "O passageiro é quem mais ganha. Com o aumento da competição, ele terá mais opções e melhores preços em Congonhas." Ele não quis comentar os critérios estabelecidos pela resolução e disse que o papel das empresas é "cumprir a regra do jogo".

A primeira distribuição de slots em Congonhas deverá ser feita a partir de 1º de agosto e considerará novos slots, mas a Agência Nacional de Aviação Civil não informou quantos. / M.G.

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