TAM terá de mudar comercial da Copa

Conar obriga aérea a alterar texto do filme para não transmitir a ideia de que ela, e não a Gol, é a transportadora oficial da seleção

Nayara Fraga e Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2014 | 10h27

O comercial da companhia aérea TAM que diz que ela vai trazer os 'nossos craques para jogar em casa' terá de ser alterado. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) definiu, em reunião realizada na quinta-feira, que o filme intitulado Catimba não pode transmitir a ideia de que é a TAM que está transportando todos os jogadores da Seleção Brasileira ao País, uma vez que a transportadora oficial é a Gol.

Visto mais de 2 milhões de vezes apenas no canal da companhia no YouTube, o comercial mostra os brasileiros David Luiz (jogador do Chelsea), Thiago Silva (do Paris Saint-German) e Marcelo (do Real Madri) em uma sequência de contratempos no caminho para o aeroporto. Thiago, por exemplo, pega um elevador com uma criança que havia apertado o botão de todos os andares do prédio. Já Marcelo não consegue passar no raio x enquanto não tira as calças.

No fim, o comercial diz: "Os adversários não vão gostar nada disso, mas a TAM vai trazer os nossos craques para jogar em casa". A estratégia da companhia foi buscar os atletas brasileiros que jogam nos times das cidades onde a companhia oferece voos diretos a partir do Brasil: Paris, Londres e Madri.

O meio publicitário recebeu o comercial como o maior drible que a TAM podia ter dado na transportadora oficial da Seleção. Por isso, a Gol entrou com uma representação no Conar pedindo o julgamento do filme e sua possível alteração ou retirada do ar. O Conar não tem autoridade judicial, mas sua recomendação é como uma obrigação no setor - anunciantes, agências e veículos de comunicação são associados da instituição. E o recado dado à TAM foi de que é necessário mudar o texto.

O gerente sênior de comunicação e marca da TAM, Daniel Aguado, afirma que a empresa vai acatar a recomendação do Conar. "A decisão foi bastante positiva para nós. O Conar percebeu que o comercial foi feito com criatividade e ética, e a alteração que vamos fazer será imperceptível." O Conar não comentou o teor da discussão e apenas informou, por meio da assessoria de imprensa, que a alteração foi solicitada.

A TAM terá até cinco dias para ajustar o texto. Mas a empresa ainda não recebeu a notificação oficial do Conar, o que deve ocorrer em dois dias. Até lá, o comercial deve continuar a ser veiculado normalmente.

Procurada, a Gol não se pronunciou. Se considerar que a alteração sugerida pelo Conar não é suficiente, a companhia pode recorrer e pedir novo julgamento. Para ver o comercial que gerou a polêmica entre as aéreas na internet, digite na barra do seu navegador o endereço http://oesta.do/catimba.

Carona. É comum ver em eventos esportivos de grande porte marcas que, mesmo não sendo patrocinadoras, arrumam um jeito de "aparecer" com maestria - ou falta de ética, do ponto de vista de quem está pagando muito dinheiro para ser o patrocinador oficial da competição. Entre os casos mais clássicos está o da Nike, que durante a Olimpíada de Londres divulgou um comercial que mostrava atletas comuns em diferentes regiões do mundo também chamadas London. A mensagem era de que os "grandes" não estavam apenas na capital inglesa naquele momento. Causou polêmica. A patrocinadora do evento era a Adidas. 

A essas ações se dá o nome, geralmente, de marketing de emboscada. As mais comuns ocorrem, justamente, durante o evento - como distribuição de brindes ou adereços vinculados a marcas. Para coibir essas situações, a Fifa, realizadora da Copa do Mundo, terá pelo menos 450 pessoas, entre voluntários, agentes públicos e funcionários da própria entidade, para fazer a vistoria.

Além disso, no período que antecede a Copa, a Fifa fica de olho no uso impróprio das marcas que registrou no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), como "Copa do Mundo" e "Copa 2014". A instituição já notificou pelo menos 400 "não-patrocinadoras".

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