Tamanho do investimento vai depender de modelo

Estudos técnicos vão definir apetite dos investidores por ativos estatais de saneamento básico

Renée Pereira e Mônica Scaramuzzo, O Estado de São Paulo

10 Julho 2017 | 05h00

O apetite dos investidores nacionais e estrangeiros pelos ativos de saneamento básico vai depender da modelagem que sairá dos estudos técnicos que estão sendo estruturados pelo mercado e da aprovação dos Estados. Apesar de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ser o gestor do programa, são os governos estaduais que devem bater o martelo.

“Nosso apetite vai depender mais da modelagem do que da geografia do projeto”, diz o presidente da Aegea, Hamilton Amadeo. Segundo ele, como os estudos estão sendo feitos por vários consórcios e empresas, a tendência é que o País tenha modelos tarifários diferenciados dependendo da realidade de cada Estado.

“E é desejável que seja assim. A legislação de concessão e PPPs abrange várias alternativas”, afirma o executivo, que tem investido por ano cerca de R$ 400 milhões no setor – montante que pode aumentar com as concessões. Criada em 2010, a empresa do grupo Equipav tem entre os acionistas instituições, como International Finance Corporation (IFC), Fundo Soberano de Cingapura (GIC) e Fundo Global de Infraestrutura (GIF), gerenciado pelo IFC.

Outra consolidadora será a Brookfield, dona da Odebrecht Ambiental. A aquisição, concluída em fevereiro, colocou a gestora como uma das favoritas para avançar nesse segmento. Mas ela não está sozinha. A gestora Vinci Partners tem interesse em disputar os ativos estaduais, mas diz que os riscos regulatórios precisam ser entendidos e mitigados. O sócio do fundo, José Guilherme Souza, acredita que os negócios só devem virar realidade a partir de 2018.

Na lista de ativos que interessam aos investidores, a Compesa, de Pernambuco, diz que a ideia não é privatizar a companhia. “Queremos trazer um investidor forte, como foi o caso da Brookfield, que está presente em 15 municípios”, afirma o gestor da estatal, Roberto Tavares. Segundo ele, uma das soluções seria dividir os outros 172 municípios sob domínio da empresa em três pacotes, separando por regiões. 

Empresas asiáticas também estão atrás de projetos nesse setor, como as japonesas Itochu, Mitsui e a sul-coreana GS, segundo fontes. São empresas que atuam no Brasil e que não decidem investimentos pelo clima de Brasília, diz um executivo de banco que acompanha de perto o assunto. 

Procuradas, Brookfield e Mitsui não comentam. Itochu, GS Energy não retornaram o pedido de entrevista.

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