Também em relação à Espanha, Morales baixa tom de críticas

Não foi apenas ao Brasil que Evo Morales, presidente da Bolívia, baixou o tom de suas críticas e acusações. Horas depois de ter atacado os governos e as empresas do Brasil e da Espanha, Morales enviou uma carta ao chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, na qual argumentou não ter acusado Madri de descumprir os seus compromissos com a Bolívia. Em um tom cordial e diplomático, o ex-líder cocaleiro culpou a imprensa. No final da tarde de sexta-feira, diante dos mesmos jornalistas, afirmou que a espanhola-argentina Repsol-YPF continuará a atuar na Bolívia e derreteu-se ao descrever a solidariedade da Espanha."Conversamos com o primeiro-ministro da Espanha, a quem respeito e admiro, sobre a solidariedade com os povos indígenas. O diálogo estará sempre aberto", afirmou Evo Morales, logo ao informar que José Luís Rodríguez Zapatero enviará à Bolívia uma missão para tratar de ajuda na área social. "A Repsol continuará a ser sócia, mas não dona dos nossos recursos naturais", esclareceu em seguida.Na carta, entretanto, as escusas à Espanha, um dos maiores investidores na Bolívia, tornaram-se mais claras. "Queremos lhe expressar que nunca acusamos o governo da Espanha de não cumprir com os compromissos com a Bolívia, como assinalaram algumas matérias da imprensa, e que o que eu manifestei esteve no marco da esperança de que os oferecimentos do vosso governo possam ser uma realidade em breve."Nos sete parágrafos da carta, Morales não menciona o Brasil nem a Petrobras. Mas informa Moratinos que seu governo concorda "totalmente" com uma negociação bilateral entre as "empresas estrangeiras e o Estado boliviano". Também destaca que La Paz está empenhada a estabelecer novos contratos "de interesse mútuo e no marco do respeito à Constituição" boliviana, ao final do período de 180 dias.Discurso opostoSuas declarações desta sexta-feira contradisseram completamente com as de quinta-feira. Naquela ocasião, Morales incluíra o Espanha e o Brasil na lista de países que não dão "ajuda incondicional" a seu país e cobrara promessas de Madri de perdão da dívida e de dobrar o auxílio à Bolívia. Chegou mesmo a lembrar que, anos atrás, ao desembarcar no Aeroporto de Barajas, quase foi impedido de ingressar na Espanha por uma autoridade que lhe perguntou se teria a quantia mínima de US$ 500. Convidado de uma prefeitura e sem o dinheiro no bolso, Morales rebateu o oficial com seu velho bordão dos 500 anos de exploração da Bolívia pela Espanha e outros países e teve sua entrada permitida.

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