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Tanure poderia manter Gazeta por mais 45 dias

Isso só ocorrerá caso Luiz Fernando Levy ceda o direito de uso da marca, pleiteado pelos funcionários do jornal

Daniele Carvalho, da Agência Estado,

26 de maio de 2009 | 19h09

A Companhia Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure, teria capacidade financeira para manter em funcionamento do jornal Gazeta Mercantil por mais 45 dias, diz uma fonte da diretoria da CBM. Mas, completa, isso só poderá ocorrer na hipótese de o empresário Luiz Fernando Levy ceder o direito de uso da marca, como está sendo pleiteado pelos funcionários do jornal. Na próxima sexta-feira, 29, a CBM deve devolver o título a Levy e encerrar o contrato iniciado em dezembro de 2003.

 

Levy já declarou não ter intenção de manter a edição do jornal. Informou também que há três meses não recebe pagamento pelo licenciamento da marca. Segundo a fonte da CBM, Tanure propõe pagar salários e os custos de impressão do jornal por um mês e meio, segundo ele para que os funcionários decidam o destino da marca, que poderia ser arrendada para outro interessado ou gerida pelos próprios funcionários.

 

"Seria somente um apoio por um curto período de tempo. Não temos mais qualquer interesse em continuar com a marca Gazeta Mercantil. Esta é uma decisão irreversível", frisou o interlocutor.

 

A diretoria da CBM contesta a cobrança de dívidas trabalhistas da Gazeta que teriam ficado sob a responsabilidade de uma das empresas do grupo de Tanure, a Editora JB, assim como pagamentos a fornecedores em contratos anteriores ao arrendamento da marca. A fonte afirma que, na ocasião do fechamento do negócio, houve compromisso de que as dívidas anteriores ao acordo ficassem sob a chancela do antigo gestor.

 

O entendimento da Justiça do Trabalho tem sido outro: o passivo, estimado em mais de R$ 200 milhões, deve ser assumido pelo novo gestor da marca. "Somente com dívidas com a diretoria anterior ao arrendamento, são mais de R$ 20 milhões", diz o diretor da CBM. A pressa na devolução do título, na avaliação de advogados trabalhistas, pode ter sido influenciada pelo fim da safra de divulgação dos balanços financeiros do primeiro trimestre deste ano, fonte de maior parte da receita do jornal.

 

Além disso, uma ação movida pela Associação de Funcionários da Gazeta Mercantil penhorou, na semana passada, parte das ações da TIM que serão destinadas à Docas Investimentos, holding que congrega todos os investimentos de Tanure, pela venda da Intelig.

 

A Decisão

 

Em reunião com os editores executivos da Gazeta Mercantil, a direção da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM) confirmou a disposição de editar o diário, que existe há quase 90 anos, só até o fim do mês. Depois, disseram eles, caberá a Luiz Fernando Levy, filho do fundador do jornal, Herbert Levy, a responsabilidade de tocar a operação. A CBM encerra assim o contrato de licenciamento para edição e comercialização do título que havia assumido em dezembro de 2003.

 

Em entrevista ao jornal gaúcho Já, publicada na sexta-feira, Levy declarou: "O Tanure quer devolver, mas é uma coisa unilateral, por enquanto. No fundo, a gente não desliga da Gazeta, mas, para mim, é definitivo: a hipótese da minha participação não existe. É uma decisão pessoal. Não vou ter ações de uma empresa de comunicação". Levy ainda disse que alguma solução terá de aparecer.

 

Impasse

 

O impasse é consequência do imenso passivo trabalhista do jornal, estimado em mais de R$ 200 milhões. Mas existem outros débitos, como o pagamento de royalties pelo uso do título. Levy diz não estar sendo pago por Tanure há três meses. Os dois empresários não se entendem, segundo funcionários do jornal. Um atribui ao outro os passivos que precisam ser acertados.

 

Aos funcionários do jornal, a direção da CBM informou ainda que espera a resposta de Levy até hoje, sobre o destino que ele quer dar ao título. A CBM informou ainda que dará apoio financeiro a Levy caso ele queira dar continuidade ao projeto. A CBM não deu detalhes sobre o prazo da ajuda financeira. Para tranquilizar a equipe, de quase 100 pessoas, a direção da CBM disse também que pretende realocá-la em outras empresas do grupo de Tanure.

 

O drama da Gazeta Mercantil não é novo. Desde a década de 90, o jornal enfrenta problemas por falta de pagamentos de salários e cortes de fornecedores, situação que provocou várias ações judiciais. É na cobrança desses passivos que está o maior problema para a continuidade da gestão de Tanure, que assumiu o controle ao fechar o negócio com Levy. Tanure tinha a intenção de ficar apenas com o título do jornal, deixando as pendências judiciais para a antiga empresa.

 

Tática

 

Mas a Justiça deu interpretação diversa ao contrato e vem responsabilizando a CBM pelos débitos trabalhistas, entre outros. Faz isso por meio de bloqueios dos créditos a receber da empresa. Por isso, um executivo que trabalhou com Tanure acredita que ele ameaça com o fechamento do jornal apenas para sensibilizar a Justiça e ganhar tempo para uma nova negociação.

 

Há pouco mais de um ano, a empresa de Tanure fez um acordo com juízes para pagar R$ 400 mil por mês como forma de abatimento dos débitos trabalhistas. Com isso, queria evitar os bloqueios dos recebimentos da empresa. Cumpriu o trato por 11 meses, mas, desde o começo do ano, abandonou o acerto. A Justiça voltou a bloquear os créditos a receber da CBM, desde que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região de São Paulo suspendeu o termo de compromisso assinado com o grupo de Tanure.

 

(Com Marili Ribeiro, de O Estado de S. Paulo)

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