TAP negocia a venda de até 50% do capital da VEM

Antiga empresa de manutenção da Varig está sendo negociada com 6 grupos

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2008 | 00h00

A TAP negocia com seis investidores a venda de até 50% de participação na VEM Manutenção e Engenharia, informa o presidente da companhia aérea portuguesa, o brasileiro Fernando Pinto. O executivo não revelou os nomes dos interessados, valores nem prazos de negociação.A TAP comprou 90% da VEM em novembro de 2005 por US$ 24 milhões. Dois meses depois, já admitia publicamente a possibilidade de se desfazer do negócio futuramente. O fundo de pensão Aerus é acionista minoritário da VEM com 10% das ações. "Ao mesmo tempo em que estamos conversando com as várias empresas, estamos deixando a empresa (VEM) competitiva", afirmou Pinto, que participou na sexta-feira de um seminário sobre acordos de code share da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), na Associação Comercial do Rio.A TAP poderá contar com até dois sócios na VEM, conta Pinto. Nesse caso, o executivo afirma que a proporção para cada acionista seria dividida em partes iguais, mas a estatal portuguesa quer garantir o comando da gestão da ex-subsidiária de manutenção da Varig. "Em torno de 50% é o número que temos usado (participação à venda). Se por um acaso vier duas empresas ou dois parceiros, pode se ter um pouco menos do que isso, dividindo por três, mas sempre tendo uma participação em termos de gestão importante", afirmou o ex-presidente da Varig. Também presidente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Pinto nega estar arrependido pela compra da VEM, um "ótimo negócio". Ele admite, porém, que os resultados financeiros ficaram abaixo do esperado. "É claro que o fato de a Varig ter reduzido (sua operação) influenciou muito, assim como a VarigLog que sofreu descontinuidade. São clientes importantes que influem nos resultados iniciais que esperávamos", disse. Em 2006, um ano depois de ser adquirida pela TAP, a VEM registrou faturamento de cerca de R$ 300 milhões, sendo que os serviços prestados para a sua ex-controladora, a Varig, ainda respondiam por cerca de 60% do faturamento. Nessa época, a dívida da companhia girava em torno de US$ 100 milhões, sendo que a Varig representava grande parte desse débito. A VEM passa atualmente por um programa batizado de "100 dias", com o objetivo de aumentar sua rentabilidade e de dar mais agilidade no prazo de entrega dos aviões em manutenção. Mesmo com a queda de receita por causa da Varig e da VarigLog, Pinto diz que outros importantes contratos foram conquistados, com empresas como a TAM, WebJet, OceanAir e Força Aérea Brasileira (FAB).O ex-presidente da Varig está quase sete anos à frente da Varig e encerra mais um mandato na presidência da empresa no fim do ano. No Brasil, sempre surgem boatos que estaria retornando ao Brasil.Em Portugal, Fernando Pinto já deu entrevistas anunciando que está disposto a negociar com o governo português e não tem "razões para sair". Em 2007, a TAP obteve o melhor resultado de sua história, um lucro de 32,8 milhões.

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