Tapete vermelho para a indústria chinesa entrar

Aspiradores de pó, liquidificadores, espremedores e batedeiras, aquecedores e secadores de cabelo consumidos no Brasil já não são produzidos pela indústria local, e, sim, importados, em especial, do Sudeste Asiático e da China, segundo a Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee). Mas é ocioso lamentar a perda de mercado ou pleitear medidas protecionistas para a indústria local, como fazem seus representantes nos gabinetes de Brasília, pois o principal problema é o custo de produzir aqui, mais oneroso do que na maioria dos países concorrentes, deixando o produto local fora do mercado internacional.

O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2013 | 02h05

Na China, além de mão de obra barata, tributação módica, infraestrutura adequada, uma logística de alto nível permite o embarque e o desembarque de mercadorias em portos modernos com custos razoáveis e muito mais eficiência do que no Brasil. O mesmo acontece em outros países voltados para a exportação. Isso faz toda a diferença.

Em 2010, foram produzidos no País 448 mil aspiradores de pó e importados 2,4 milhões; a produção local de liquidificadores e espremedores de frutas foi de 13,8 milhões e a importação de 73 milhões; só 25 mil aquecedores foram feitos aqui, enquanto 1 milhão foi adquirido no exterior; 3,7 milhões de secadores de cabelo foram produzidos internamente e 9 milhões foram importados, mostrou reportagem do Globo ontem.

O governo parece mais uma vez inclinado a remediar o problema, sem lhe dar solução. Máquinas de lavar, fogões e geladeiras, além de aparelhos de áudio e vídeo já foram beneficiados por incentivos e agora poderão ser adquiridos pelos mutuários do programa de habitação Minha Casa, Minha Vida com juros subsidiados e a longo prazo. Em 2014, segundo o diretor de Setores Intensivos em Capital e Tecnologia do Ministério da Indústria, Comércio e Desenvolvimento (Mdic), Alexandre Cabral, os eletroportáteis serão prioritários para o governo federal. Uma nova despesa fiscal se prenuncia.

Mais desafiador, mas muito mais correto, seria enfrentar as deficiências de infraestrutura e o custo Brasil. Os governos do PT perderam uma década sem provar que são capazes de remover os gargalos logísticos que roubam competitividade do produto brasileiro. Estenderam, assim, um tapete vermelho para que os exportadores chineses caminhassem maciamente, a baixo custo.

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