Tápias e Hermann intermediaram acordo Itaú/BMG

Executivos que vão assumir o comando do BMG estiveram por trás da criação do Itaú BMG Consignado, que começa a operar em dezembro

DAVID FRIEDLANDER, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h09

Sócios na empresa de consultoria Aggrego há sete anos, Alcides Tápias e Antonio Hermann estiveram por trás da associação do Itaú Unibanco com o BMG para a criação de um novo banco especializado na concessão de crédito consignado, fechada em julho. Com capital inicial de R$ 1 bilhão, a instituição começa a operar em 1.º de dezembro.

Meses atrás, durante uma das crises de liquidez que afetou os bancos de médio e pequeno porte, o pessoal do BMG procurou Tápias e Hermann para ajudá-los a vender carteiras de crédito para bancos maiores - uma forma de levantar receita para conceder novos empréstimos.

Apresentada ao Itaú, a proposta deu origem a uma negociação mais ampla. "O Itaú, que já tinha comprado carteiras do BMG antes e gostou das operações, desta vez mostrou interesse numa parceria para operar com consignado", diz Tápias.

O BMG é líder nesse tipo de empréstimo entre os bancos privados - no ranking geral, só perde para o Banco do Brasil. Era o que o Itaú precisava para cortar caminho e crescer no mercado de consignado. Naquele momento, a família Pentagna Guimarães discutia a venda do BMG com o Bradesco e com o BTG Pactual. Optaram pelo Itaú, porque a operação não envolvia a venda do controle do banco da família.

No novo banco, batizado Itaú BMG Consignado, o primeiro tem participação de 70% e a família Pentagna Guimarães os outros 30%. "Esses 30% da parceria serão bem maiores do que os 100% que o BMG tinha sozinho", diz Hermann, que vai presidir uma instituição que administra mais de R$ 23 bilhões em ativos, tem uma carteira de crédito total de R$ 27 bilhões e produtos oferecidos em mais de 3,2 mil pontos de venda.

Profissionalização. A profissionalização do BMG, que será anunciada na segunda, traz de volta para o dia a dia do mercado financeiro dois profissionais tarimbados. Consultor de bancos nos últimos anos, Antonio Hermann foi presidente do extinto bancos Itamarati e vice do Banespa, privatizado pelo governo de São Paulo nos anos 90.

Alcides Tápias, que foi ministro do Desenvolvimento no governo de Fernando Henrique Cardoso, é uma velha raposa do mercado financeiro. Além de ter sido um dos homens fortes do Bradesco, onde trabalhou por mais de três décadas, e membro do conselho de administração do Itaú por dez anos, foi presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O detalhe é que, nessa época, um de seus vice-presidentes e homem de confiança na entidade era Roberto Setúbal, o comandante do Itaú. Fora da área financeira, Tápias foi presidente do grupo Camargo Corrêa.

Como novo presidente do conselho de administração do BMG, Tápias vai tentar trazer gente de fora para o comitê e vai representar o banco dos Pentagna Guimarães na sociedade com o Itaú. "O banco é bom. Os controladores estão agindo para perpetuá-lo", diz o executivo.

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