Divulgação/CBTU
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Recursos para obra do metrô em BH precisam passar pelo Orçamento, diz Economia

Pasta comandada por Guedes diz que repasse de R$ 1,2 bilhão de indenização para a linha 2 do metrô na capital mineira está sujeita ao teto de gastos; Infraestrutura insiste em usar os recursos sem passar pelo Orçamento

Idiana Tomazelli e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 18h31
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 20h36

BRASÍLIA - O Ministério da Economia confirmou ao Estadão/Broadcast que o repasse de R$ 1,2 bilhão em recursos de um acordo judicial para bancar obras da linha 2 do metrô de Belo Horizonte precisa passar pelo Orçamento ou pelo caixa do Tesouro Nacional. Ou seja, estarão sujeitos às regras fiscais, inclusive ao teto de gastos, mecanismo que limita o avanço das despesas à inflação.

O Ministério da Infraestrutura, no entanto, informou ao Estadão que os detalhes técnicos da transferência desses recursos para o metrô de Belo Horizonte (MG) "ainda estão sendo definidos" entre a pasta, o Ministério da Economia e a Casa Civil. A ideia de destinar o dinheiro para o empreendimento está mantida, mas os ministérios ainda discutem como isso será feito.


Os técnicos da Economia alertarem para a necessidade de incluir tanto a receita com o acordo quanto a despesa com as obras na proposta orçamentária de 2021, sob o risco de violar leis caso a despesa fosse executada à margem do Orçamento. O tema foi discutido em uma reunião hoje entre Casa Civil, Infraestrutura e Economia.

Nos bastidores, mesmo com a posição da Economia, o Ministério da Infraestrutura ainda não deu a discussão como encerrada. Integrantes da pasta ouvidos reservadamente apontam que esse mesmo debate ocorreu quando o governo passou a usar o mecanismo do 'investimento cruzado', em que o dinheiro da outorga de concessões é reinvestido no setor. Por isso, a pasta ainda defende a solução anunciada ontem. 

No centro do impasse está uma indenização devida à União por trechos antieconômicos da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), que inicialmente seria empregada em obras ferroviárias e agora será redirecionada ao metrô. Como mostrou a reportagem, o “procedimento” defendido pela Infraestrutura, segundo Tarcísio, envolveria uma conta no BNDES que receberia os recursos em vez da conta única do Tesouro.

“Qual o procedimento que estamos trabalhando nesse momento: a criação de uma conta, vinculada a esse projeto no BNDES, e o fluxo do dinheiro ao invés de cair na conta do Tesouro cairia direto nessa conta, que vai ser utilizada especificamente para compor a contrapartida do Estado na parceria público-privada do metrô. Isso dá garantia efetiva de que recurso vai ser usado no metrô de BH”, explicou Tarcísio ao anunciar a proposta.

O anúncio do acordo chegou a ser comemorado pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter. “A criatividade e a determinação do Ministério da Infraestrutura viabilizará a linha 2 do metrô de BH”, escreveu o presidente. “É criatividade para prover infraestrutura”, comentou Tarcísio na mesma rede social.

Inicialmente, a Advocacia-Geral da União (AGU) enviou questionamento à Economia sobre o tema, mas a resposta foi genérica de que não caberia à pasta se pronunciar sobre o acordo. Segundo apurou a reportagem, as áreas orçamentárias não foram ouvidas. Agora, depois da polêmica, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) solicitou formalmente um posicionamento da Secretaria de Orçamento Federal (SOF).

O gasto para o metrô ainda pode ser incluído no Orçamento de 2021, em tramitação no Congresso, mediante corte de outra despesa. O procedimento já foi adotado em outros acordos firmados pela União, como no caso de devoluções de recursos desviados em esquemas de corrupção e recuperados pela Operação Lava Jato. O acordo garantiu uma espécie de vinculação do dinheiro para aplicação em ações como combate a desmatamento e educação, mas tudo foi registrado no Orçamento.

Procurado, o Ministério da Economia confirmou que “a receita e a respectiva despesa têm que entrar no Orçamento”. A pasta informou que inclusive a receita do acordo já está na programação deste ano (R$ 332 milhões) e na previsão para 2021 (também R$ 332 milhões).

Segundo a Economia, hoje os valores estão destinados a estudos, obras e/ou serviços ligados ao setor ferroviário devido ao acordo vigente, mas há tratativas para “um emprego mais específico” da verba.

“Dependendo do resultado deste termo aditivo talvez seja necessária alterar a alocação destes recursos previstos no PLOA 2021 via solicitação de alteração durante a tramitação no Congresso Nacional ou por meio de crédito suplementar com remanejamento de dotações durante o exercício de 2021”, afirmou a Economia. 

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