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Tarefa dupla para 2011

Boa notícia para os otimistas incuráveis: o superávit comercial, US$ 16,7 bilhões até a semana passada, já ultrapassou o valor previsto pelos economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central, US$ 16,4 bilhões. Mas é bom não exagerar nas comemorações. O erro será irrelevante e permanece o risco de um acerto na previsão para 2011. No próximo ano o saldo comercial deverá ficar em US$ 8 bilhões, segundo as projeções coletadas na mesma pesquisa. Os cálculos têm como base, entre outros números, um crescimento econômico de 7,6% estimado para em 2010 e uma expansão de 4,5% no próximo. Se o desafio fosse ganhar um bolão sobre o saldo comercial, não haveria motivo para grandes preocupações. Mas o quadro é muito mais complicado.

ROLF KUNTZ, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

O consumo tem crescido mais velozmente que a produção industrial e isso se reflete no descompasso entre exportação e importação. Pode haver eliminação de empregos, ou, no mínimo, a redução do ritmo de criação de vagas, se a produção estrangeira continuar ocupando parcelas crescentes do mercado interno. Não há nada errado em comprar produtos de fora, mas os consumidores têm de continuar empregados para continuar comprando.

Em 2005, a importação representava 14,2% do consumo aparente do Brasil. Em 2010 correspondeu a 19,8%, segundo trabalho divulgado na semana passada pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para se calcular o consumo aparente, somam-se a produção e a importação e subtrai-se a exportação. Em alguns mercados, como os de produtos intensivos em tecnologia, a participação é muito maior. Em cinco anos, a fatia dos importados no consumo aparente de material elétrico aumentou de 34,2% para 50,3%. No caso dos eletrônicos, o crescimento foi de 35,7% para 50,3%. No mercado de têxteis a variação foi proporcionalmente maior, de 7,8% para 17,8%.

Essa variação resulta em grande parte da prosperidade brasileira e reflete o aumento do poder de consumo da população. De modo geral, o aumento da importação é sintoma de uma economia vigorosa e com melhor distribuição dos benefícios. Mas é preciso levar em conta outros fatores, como a valorização excessiva do real, o modesto crescimento econômico dos países desenvolvidos e as vantagens competitivas da China, sustentadas em parte pela depreciação de sua moeda. A participação chinesa no consumo aparente de material elétrico, por exemplo, já chegou em 2010 a 19,6%, segundo aquele estudo.

De janeiro até a terceira semana de dezembro a despesa de importação, US$ 175,9 bilhões, foi 42,5% maior que a de um ano antes. A receita de exportação, US$ 192,6 bilhões, foi 31% superior à de igual período de 2009. O desempenho brasileiro foi amplamente favorecido pelos bons preços dos produtos básicos. O último relatório detalhado cobre o intervalo de janeiro a novembro.

A exportação de básicos proporcionou um faturamento 40,4% maior que o do período anterior. A de semimanufaturados, formada principalmente de commodities, garantiu uma receita 38% superior à de janeiro-novembro de 2009. Somados, os dois grupos de produtos forneceram 58,5% do valor total exportado. Em 2009, a participação havia sido de 54,7%, graças, também, à melhora das cotações internacionais. Os preços têm sido sustentados por vários fatores - oferta mais apertada de produtos agrícolas, forte demanda de produtos básicos pela China e por outros emergentes e grandes aplicações financeiras no mercado de commodities, estimuladas pelos juros baixos e pela sobra de dinheiro no mercado internacional.

Se as cotações se mantiverem no próximo ano, o Brasil poderá obter uma boa receita no comércio exterior, mas isso dependerá, em boa parte, do dinamismo econômico da China. Os países desenvolvidos poderão crescer um pouco mais que em 2010, mas provavelmente continuarão em marcha lenta. Além disso, vários deles estarão ainda atolados na crise fiscal e enrolados nas dificuldades de seus bancos.

Na pesquisa Focus, a projeção de inflação para 2011, medida pelo IPCA, voltou a subir e chegou a 5,29%, bem acima do centro da meta (4,5%). O real valorizado e a importação têm impedido um aumento mais acentuado dos preços. Mas a inflação ganhou impulso e o governo terá de contê-la e ao mesmo tempo cuidar das contas externas. Será um desafio tão interessante quanto o de ajustar a situação fiscal num ano de crescimento econômico mais moderado.

JORNALISTA

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