Tarifa de ônibus e escola pressionam inflação

Segunda prévia do IGP-M em janeiro mostra que os preços ao consumidor atingiram o segundo[br]maior valor em oito anos

Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

A segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) desacelerou de 0,75% para 0,63% de dezembro para janeiro, graças à perda de força da inflação no atacado (de 0,77% para 0,60%). Mesmo com o recuo, que sinaliza uma alta abaixo de 1% para o indicador fechado do mês, o cenário de inflação ainda tem sinais preocupantes.

Os preços no varejo continuaram a pressionar o bolso do consumidor e atingiram na segunda prévia de janeiro o mais elevado patamar em quase oito anos.

Impulsionada por reajustes em tarifa de ônibus e de mensalidades escolares, a inflação apurada pelo indicador, usado para reajustar preços de aluguel, subiu 0,85% na segunda prévia de janeiro, após avançar 0,81% em igual prévia em dezembro.

A perda de força na inflação das matérias primas brutas no atacado (de 1,34% para 1,03%), no qual estão incluídas as commodities, foi uma das principais contribuições para a taxa menor da segunda prévia.

No entanto, os analistas da consultoria Tendências, Thiago Curado e Juan Jensen, alertam que os acompanhamentos diários de commodities agrícolas mostram nova disparada desses itens em janeiro.

Responsável pela divulgação do indicador, o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, comentou que houve sinais "espalhados" de inflação mais fraca, ou até mesmo queda de preços no atacado, na segunda prévia. Ele ressalva que o menor avanço da inflação atacadista, que representa 60% do IGP-M, poderia ter sido mais intenso não fosse o comportamento dos alimentos in natura, que estão caindo menos de preço (de -8,68% para -0,45%).

Queda de braço. Quadros lembrou que o começo do ano sempre tem aumento mais forte nos alimentos in natura, devido à menor oferta por causa das chuvas. "O que tivemos no atacado, na segunda prévia de janeiro, foi uma queda de braço. De um lado, os preços das matérias-primas contribuindo para uma taxa menor; do outro lado, os alimentos in natura puxando o resultado para cima", resumiu.

Para Quadros, alimentos in natura mais caros devem ajudar a acelerar os preços no varejo ainda mais, nas próximas apurações dos indicadores que compõe a família dos Índices Gerais de Preços. Ele lembrou que a alta dos alimentos in natura no atacado deve ser repassada em algum momento para o varejo. Da segunda prévia de dezembro para a segunda prévia de janeiro, a inflação dos alimentos sentida pelo consumidor perdeu força (de 1,66% para 1,33%).

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