DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Tarifa do aço imposta pelos EUA preocupa muito o Brasil, diz Temer

Presidente afirmou que, se não houver acordo amigável com os EUA a respeito da sobretaxa ao aço e alumínio, entrará com uma representação contra o governo americano na OMC

Daniel Weterman, André Ítalo Rocha e Eduardo Laguna, Broadcast

14 Março 2018 | 12h45

O presidente Michel Temer (MDB) disse nesta quarta-feira, 14, durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em São Paulo, que vai ligar para o presidente norte-americano, Donald Trump, para discutir a sobretaxação das importações de aço e alumínio nos Estados Unidos, medida que atinge em cheio a indústria siderúrgica brasileira.

O presidente disse que a taxação do aço nos Estados Unidos é motivo de grande preocupação, mas que precisa ser tratada com "muito cuidado", dado que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

Ao participar da edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial, Temer assinalou que vai investir no diálogo, mas confirmou que, se não houver uma solução amigável, vai entrar com outros países prejudicados pela barreira com uma representação contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). "A conjugação dos países dará mais força à representação", declarou Temer ao participar da sessão plenária do Fórum.

Ao lembrar que o Brasil está se movimento em direção à abertura comercial, com a "condução final" de um acordo do Mercosul com a União Europeia e o Canadá, Temer frisou que seu governo é contra 'todo e qualquer protecionismo". "Queremos abertura plena dos mercados estrangeiros em relação ao Brasil".

Retomada. Durante o evento, Temer também afirmou que o Brasil "voltou para ficar" no contexto internacional. Ele disse ainda que "há muito otimismo no Brasil" depois que seu governo "recuperou" o País. "Lá em Davos, eu disse: O Brasil voltou. Aqui eu digo: O Brasil voltou para ficar", declarou o presidente.

No discurso, o presidente voltou a falar que espera que em 20 anos o programa Bolsa Família não seja mais necessário. "Eu não estou pregando a eliminação do Bolsa Família, estou pregando a manutenção do que estão ganhando e que haja uma evolução no tópico da responsabilidade social", destacou, divulgando o programa "Progredir", anunciado para dar emprego a filhos de beneficiários do Bolsa Família.

O emedebista classificou a oposição ao seu governo como "incompreensões". "Um governo que tem um ano e dez meses com muitas incompreensões, eu reconheço, mas que ao longo do tempo tirou o País da recessão e conseguiu um efeito extraordinário já reconhecido por toda a comunidade internacional", disse. O presidente falou que se pautou durante a gestão por responsabilidade fiscal e social, além do diálogo.

Ao falar sobre as medidas aplicadas pelo seu governo no Brasil, Temer disse que o teto dos gastos públicos pode permitir o equilíbrio entre receitas e despesas da União em um prazo de 10 anos. Ele classificou a medida, ao lado da reforma trabalhista e das mudanças no ensino médio, como "ousadas, mas corretas".

O presidente negou que faça um governo populista e falou que o teto de gastos é prova disso. "Não é o caso do prefeito João Doria e do governador Geraldo Alckmin, mas no geral o que os governos mais querem é ter liberdade ampla para os gastos mais ampliados."

Elogios a Alckmin. No evento,  Michel Temer também teceu elogios para o governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência da República.

Temer disse que vê em são Paulo da parte do governador um "cuidado de conectar, de juntar vários temas para conseguir os resultados positivos que obteve no Estado". "Porque governar na verdade é administrar divergências, mas não só isso, como buscar convergências, é o que temos feito no País", declarou Temer, quando se dirigiu ao governador paulista.

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