Tarifa no País tende a cair, diz governo

Para presidente da EPE, preço do megawatt no leilão de Santo Antônio indica que a eletricidade ficará mais barata

Wellington Bahnemann, Leonardo Goy, Gerusa Marques e Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

O resultado do leilão da usina de Santo Antônio indica que, no futuro, o preço da energia elétrica no Brasil vai baixar. Essa foi a avaliação feita ontem pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. "Se a usina do Madeira for um sinal dos custos de energia no Brasil, então o futuro é extremamente promissor", afirmou. Entusiasmado, Tolmasquim classificou o leilão de ontem como um "marco histórico". Primeiro, porque marca a retomada da construção das grandes usinas hidrelétricas. "A última grande que tivemos é de 1994, Xingó", disse. Além disso, o preço de R$ 78,90 por megawatt/hora (MW/h) mostra que é possível produzir energia barata na Amazônia, onde está concentrado o potencial hidrelétrico a ser explorado no País. "Se achava que não se conseguiria mais produzir energia competitiva no Brasil, que a exploração da Amazônia significaria necessariamente uma energia mais cara", observou. O preço oferecido no leilão do Rio Madeira é mais baixo, por exemplo, do que o negociado na semana passada no 6º leilão de energia velha. O preço inicial era de R$ 109 por MW/h, mas as geradoras não venderam eletricidade. De acordo com o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, essa diferença de preços é explicada pela falta de planejamento nos últimos anos, que levou o governo a licitar projetos que geraram energia elétrica cara, como as usinas térmicas. O leilão da energia da usina de Santo Antônio movimentou aproximadamente R$ 30 bilhões. Esse total representa a soma de todos os contratos de venda celebrados entre a usina e as 32 distribuidoras que compraram a energia. Cada contrato tem um prazo de 30 anos.MAIS SÓCIOS?O consórcio vencedor poderá admitir novos sócios, disse ontem o diretor da Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura, Irineu Meirelles. Hoje, o grupo é formado por Furnas, Cemig, Banif, Santander, Andrade Gutierrez, além da própria Odebrecht. "Os fundos de pensão já se ofereceram para entrar no consórcio" comentou. "Vamos estudar, com base na engenharia financeira que estamos montando, se há possibilidade de novos sócios", disse. Segundo o executivo, além dos próprios fundos, outros sócios podem ser consumidores livres. Meirelles admitiu que, por exemplo, a Companhia Vale do Rio Doce poderia se tornar uma sócia da usina, mas nada está fechado por enquanto. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também é outro que pode virar sócio. O banco financiará até 75% do valor do empreendimento. De acordo com o diretor, o ingresso de novos sócios não implica a saída dos atuais. "Não há nenhuma previsão de saída de nenhum sócio existente", garantiu. Além da entrada de novas empresas, o executivo revelou a possibilidade da abertura de capital da sociedade de propósito específico (SPE) que administrará a hidrelétrica de Santo Antônio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.